Minhas Imagens

Minhas Imagens
Sol dos Orixás

sábado, 7 de setembro de 2013

A Pátria - Olavo Bilac



Ama, com fé e orgulho, a terra em que nasceste!
Criança! Não verás nenhum país como este!
Olha que céu! Que mar! Que rios! Que floresta!
A Natureza, aqui, perpetuamente em festa,

É um seio de mãe a transbordar carinhos.
Vê que vida há no chão! Vê que vida há nos ninhos,
Que se balançam no ar, entre os ramos inquietos!
Vê que luz, que calor, que multidão de insetos!

Vê que grande extensão de matas, onde impera,
fecunda e luminosa, a eterna primavera!
Boa terra! Jamais negou a quem trabalha
O pão que mata a fome, o teto que agasalha...

Quem com seu suor a fecunda e umedece,
vê pago o seu esforço, e é feliz, e enriquece!
Criança! Não verás país nenhum como este:
Imita na grandeza a terra em que nasceste.

Olavo Bilac


http://pausapraleitura.blogspot.com.br/2012/10/a-patria-por-olavo-bilac.html

Pátria, por Rolando Boldrin / Saga da Amazônia, por Vital Farias

Os homens que fizeram a independência

Emília Viotti da Costa.
Coroação de D. Pedro I"  (1828) é uma das famosas aquarelas do pintor francês Jean-Baptiste Debret, que compõem o livro Viagem Pitoresca e Histórica ao Brasil, considerado por alguns autores a mais rica revelação feita sobre o comportamento e o modo de ser das diversas classes sociais brasileiras da época.
A biografia dos homens que dirigiram o movimento pela independência do Brasil confirma que representavam as categorias mais importantes da sociedade. Nem todos eram brasileiros de nascimento. Alguns tinham ligações com a Corte de D. João VI. Sua formação se fizera em Portugal. Eram em sua maioria homens de mais de cinqüenta anos. Estavam empenhados em manter a ordem, evitar a anarquia e combater os “excessos do povo”.
Para estes homens, representantes das categorias dominantes, o principal objetivo era organizar o Estado sem colocar em risco o domínio econômico e social. Estavam interessados em manter a estrutura da produção baseada no trabalho escravo, destinada à exportação de produtos tropicais para o mercado europeu.
A independência realizada pelas categorias dominantes tinha como único objetivo preservar a ordem e romper o sistema colonial somente no que ele significava de restrição à liberdade de comércio e à autonomia administrativa.
A aparência liberal construída pela elite ocultava a miséria e a escravidão da maioria dos habitantes do país. Conquistar a verdadeira independência seria tarefa das  futuras gerações.


Fonte:
Costa, Emília Viotti da. Introdução ao estudo da emancipação política. In Carlos Guilherme Mota). (Org.). Brasil em perspectiva. Difel, Rio de Janeiro – São Paulo, 1978. p. 121-5, (texto adaptado).

 

Patriarca da Independência - De onde vem o mito?

“Patriarca da Independência” foi um título disputado por muitos adversários políticos no século XIX. Por que a figura de José Bonifácio prevaleceu e sua lenda persiste até hoje?

Emília Viotti da Costa
Heróis estão sempre presentes na história das nações. Nos Estados Unidos, são chamados de Founding Fathers (pais fundadores). George Washington, Thomas Jefferson e Benjamin Franklin moldaram a República norte-americana. Simón Bolívar e José de San Martín são ídolos da independência das antigas colônias espanholas. Uns e outros se transformaram em figuras exemplares, cujas vidas continuaram, através do tempo, a ser invocadas em solenidades públicas, louvadas em biografias, citadas em discursos ou registradas nos livros de História como forjadores da nacionalidade. Para se entender a criação do mito, é preciso separá-lo da história. Nascido em uma família abastada, José Bonifácio foi um jovem que, como muitos outros, deixou o Brasil para estudar em Coimbra, mas, diferentemente destes, permaneceu em Portugal por mais de trinta anos, ocupando posições importantes a serviço da Coroa. Aos 56 anos de idade regressou ao Brasil, e pouco tempo depois se tornou conselheiro do príncipe e veio a desempenhar papel relevante no processo que resultou na Independência do país. Ao ser nomeado ministro do Reino e dos Estrangeiros, em 1822, passou a ser hostilizado por liberais e conservadores, e acabou preso e exilado pelo imperador. No entanto, alguns anos depois, José Bonifácio regressou à pátria para assumir o cargo de tutor do futuro Pedro II.

                    No Brasil, esse foi o destino de José Bonifácio de Andrada e Silva.
A identificação do Andrada como “Patriarca da Independência” surgiu logo após a emancipação política do Brasil, em 1822. Na ocasião, esse título era ferozmente disputado pelos seus adversários.
Homens como Gonçalves Ledo e Evaristo da Veiga também reclamavam para si o papel de construtores da nação. Este embate político forneceu argumentos para a construção de duas versões: a andradina, que concentrou seus louvores na figura de Bonifácio, e a antiandradina, que confere a seus inimigos a liderança do processo.
 Mais uma vez seria contestado por seus inimigos políticos, que o destituíram do cargo e o processaram. Ao ser absolvido, em 1835, recebeu uma estrondosa manifestação popular a seu favor. Velho e alquebrado, retirou-se da vida pública e passou a dedicar-se aos seus estudos, vindo a falecer em 1838. Apesar de uma carreira repleta de reveses e percalços, como explicar a consagração de Patriarca da Independência?
Primeiramente, o próprio Bonifácio construiu uma imagem idealizada de sua participação nos eventos que culminaram na Independência. Seus escritos, anotações e poemas revelam um homem com pouco apreço pela “elite” brasileira, que, com raras exceções, lhe parece ignorante, ávida por riquezas e títulos de nobreza. Nem mesmo o imperador escapa de sua língua ferina. Nos jornais da época e nos Anais do Parlamento, José Bonifácio é apresentado como um homem sábio e justo, que batalhara ardorosamente pela Independência e pela implantação da monarquia constitucional no país, servindo fielmente ao imperador e à nação.
A versão antiandradina aparece em jornais da oposição que se definem como liberais e caracterizam José Bonifácio como conservador e inimigo do povo. Acusam-no de perseguir impiedosamente os adversários políticos, mandando-os prender de forma arbitrária, de ser contra a Constituição e a liberdade de pensamento, e finalmente, depois da abdicação de D. Pedro I, chegam a acusar Bonifácio de traidor da pátria e de tramar a volta do imperador. Diante dessas duas versões tão contraditórias, o que fazer?
Felizmente, outros documentos permitem avaliar melhor o desempenho de José Bonifácio: suas propostas de medidas governamentais, estudos técnicos sobre economia, política e sociedade e sua participação nos debates políticos. São escritos que revelam o homem público, uma imagem complexa de um intelectual típico da Ilustração. Homem culto e viajado, um cientista que percorreu a Europa numa época tumultuada pela Revolução Francesa, o que deixou nele profundo receio dos levantes populares e das revoluções. José Bonifácio confessava ser amante da liberdade controlada, da monarquia constitucional, inimigo dos despotismos, contrário à escravidão do negro, favorável à concessão dos votos às mulheres e crítico do latifúndio improdutivo. Desprezava homens servis e bajuladores e aqueles que disputavam títulos de nobreza.
No Brasil, José Bonifácio seria um homem fora do lugar. Um colonial que viveu na Metrópole a maior parte de sua vida, convivendo com as ideias da Ilustração, e que voltou a viver numa sociedade elitista e patriarcal, cuja economia se baseava no latifúndio e no braço escravo. Conservador em política e liberal nas questões sociais e econômicas, ele estava fadado a desagradar a uns e outros. Apoiou-se no Apostolado, uma organização que, no dizer de frei Caneca (1779-1825), não passava “de um Clube de aristocratas servis”, os grandes proprietários de terra, cujos interesses José Bonifácio feria ao pleitear o confisco das propriedades improdutivas e a emancipação gradual dos escravos. Identificava-se com os comerciantes portugueses quando estes denunciavam os privilégios concedidos aos estrangeiros, mas, ao mesmo tempo, contrariava os interesses daqueles ao pleitear o confisco de suas propriedades. Atacado pelos liberais por assumir a perspectiva conservadora, e pelos conservadores por seus projetos de transformação da ordem social, tornou-se presa fácil de seus inimigos. Com a abdicação de Pedro I, os liberais que assumiram o poder não tiveram complacência com seu velho inimigo e o colocaram no ostracismo.
Ironicamente, as contradições que o condenaram em vida foram as mesmas que garantiram a sobrevivência do mito. O nome de José Bonifácio seria invocado pelos abolicionistas, que nele viam um precursor. Seu projeto de emancipação dos escravos teve numerosas edições. A figura do Patriarca, politicamente conservadora, procurando conciliar a liberdade com a ordem, pouco amigo dos “excessos democráticos e da liberdade sem limites”, agradaria aos políticos e ideólogos que durante o Império e Primeira República (1889-1930) pregavam um Executivo forte.
Esse antagonismo marcou a documentação da época e se fixou em livros de História publicados durante o Império. Com o passar do tempo, porém, a versão andradina se tornaria hegemônica, à medida que as lutas políticas dos primeiros anos arrefeceram e os contendores, amigos e inimigos de Bonifácio, desapareceram da cena política, deixando apenas suas memórias. Somente no século XX, passados mais de cem anos da proclamação da Independência do Brasil, o equilíbrio entre as duas versões foi restabelecido, quando o historiador Otávio Tarquínio de Souza (1889-1959) escreveu a História dos Fundadores do Império do Brasil, obra que teve um de seus volumes dedicados à biografia de José Bonifácio.
Com as mudanças ocorridas na historiografia e na sociedade nos anos 1950 e 1960, surgiu a possibilidade de utilização de novos métodos explicativos que permitiriam aos historiadores fazer uma análise mais objetiva do contexto político que deu origem às versões andradina e antiandradina. Ao mesmo tempo, houve uma mudança de foco na historiografia. Em consonância com a tentativa de democratização da sociedade, os historiadores começaram a se interessar pelas classes subalternas. Foram introduzidos novos agentes históricos que até então haviam sido ignorados – mulheres, artesãos, negros livres, escravos, pequenos comerciantes, que constituíam as populações urbanas que se incorporaram ao movimento da Independência com um projeto de nação muito diferente daquele apoiado pelas elites. Entretanto, à margem da historiografia, a lenda andradina persiste no que tem de mais irredutível – o mito da nacionalidade.
-----------------------------
Emília Viotti da Costa é professora emérita da USP e professora da Universidade de Yale, nos Estados Unidos. É autora do livro Da Monarquia à República – momentos decisivos. São Paulo: Ed. Unesp, 2007.

sexta-feira, 6 de setembro de 2013

O Hino da Independência do Brasil


Pintura em que D. Pedro I  executa a peça musical dedicada ao Hino da Independência.
 Se a arte imita a vida, podemos notar que a história do Hino da Independência foi tão marcada de improviso como a ocasião em que o príncipe regente oficializou o fim dos vínculos que ligavam Brasil a Portugal. No começo do século XIX, o artista, político e livreiro Evaristo da Veiga escreveu os versos de um poema que intitulou como “Hino Constitucional Brasiliense”. Em pouco tempo, os versos ganharam destaque na corte e foram musicados pelo maestro Marcos Antônio da Fonseca Portugal (1760-1830).

Aluno do maestro, Dom Pedro I já manifestava um grande entusiasmo pelo ramo da música e, após a proclamação da independência, decidiu compor uma nova melodia para a letra musicada por Marcos Antônio. Por meio dessa modificação, tínhamos a oficialização do Hino da Independência. O feito do governante acabou ganhando tanto destaque que, durante alguns anos, Dom Pedro I foi dado como autor exclusivo da letra e da música do hino.

Abdicando do governo imperial em 1831, observamos que o “Hino da Independência” acabou perdendo prestígio na condição de símbolo nacional. Afinal de contas, vale lembrar que o governo de Dom Pedro I havia sido marcado por diversos problemas que diminuíram o seu prestígio como imperador. De fato, o “Hino da Independência” ficou mais de um século parado no tempo, não sendo executado em solenidades oficiais ou qualquer outro tipo de acontecimento oficial.

No ano de 1922, data que marcava a comemoração do centenário da independência, o hino foi novamente executado com a melodia criada pelo maestro Marcos Antônio. Somente na década de 1930, graças à ação do ministro Gustavo Capanema, que o Hino da Independência foi finalmente regulamentado em sua forma e autoria. Contando com a ajuda do maestro Heitor Villa-Lobos, a melodia composta por D. Pedro I foi dada como a única a ser utilizada na execução do referido hino.

Hino da independência
Já podeis da Pátria filhos,
Ver contente a mãe gentil;
Já raiou a liberdade
No horizonte do Brasil.

Brava gente brasileira!
Longe vá, temor servil:
Ou ficar a pátria livre
Ou morrer pelo Brasil.

Os grilhões que nos forjava
Da perfídia astuto ardil...
Houve mão mais poderosa:
Zombou deles o Brasil.

Brava gente brasileira!
Longe vá, temor servil:
Ou ficar a pátria livre
Ou morrer pelo Brasil.

Não temais ímpias falanges,
Que apresentam face hostil;
Vossos peitos, vossos braços
São muralhas do Brasil.

Brava gente brasileira!
Longe vá, temor servil:
Ou ficar a pátria livre
Ou morrer pelo Brasil.

Parabéns, ó brasileiro,
Já, com garbo varonil,
Do universo entre as nações
Resplandece a do Brasil.

Brava gente brasileira!

Longe vá, temor servil:
Ou ficar a pátria livre
Ou morrer pelo Brasil.
Fonte:


Hino da Independência do Brasil

segunda-feira, 2 de setembro de 2013

07 de setembro. É nossa obrigação.