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Sol dos Orixás

quarta-feira, 14 de agosto de 2013

A Consolidação do reino português


Os reis da dinastia[1] de Borgonha governaram Portugal (1139 – 1283) por mais de duzentos anos. Durante quase todo esse período, o reino português permaneceu envolvido na luta da Reconquista Cristã. A completa expulsão dos muçulmanos e formação do território nacional como conhecemos hoje só ocorreram em 1249, com a conquista da região de Algarves, ao sul.

Nesse período foi fundada a Universidade de Coimbra e instituída as Cortes, - assembleias às quais compareciam representantes do clero, da nobreza e do povo (na verdade, da burguesia). A partir de 1279, no reinado de D. Dinis (1279 – 1325), teve início um período de reorganização interna tanto política quanto econômica.

D. Dinis, um visionário político, percebeu que o desenvolvimento de Portugal estava no mar. E, nesse sentido, investiu na marinha - tanto mercantil como de defesa - equipando sua frota, construindo navios e contratando marinheiros mais experientes, como os italianos. O comércio foi intensificado por meio de novos contatos com os comerciantes do norte da Europa e da Itália.

Assim, sem esquecer-se da importância da consolidação dos territórios ocupados e da recuperação da economia, preparou os caminhos que levariam a expansão marítima portuguesa que iria ocorrer na dinastia de Avis.


Os reinos cristãos e a reconquista Cristã



[1] Dinastia: série de soberanos (também chamados de reis ou imperadores) que pertencem a uma mesma família.

A dinastia de Borgonha chegou ao fim quando D. Fernando, ao morrer, não deixou um sucessor do sexo masculino. A rainha, Dª Leonor Teles, assumiu o reino disposta a passar a coroa a sua filha Dª Beatriz, casada com D. João I, rei de Castela. Porém, a burguesia portuguesa - os comerciantes e banqueiros – interessados no desenvolvimento do comércio marítimo e temendo uma fusão dos reinos de Portugal e Castela discordavam dos planos da rainha.

Para lutar contra os castelhanos a rica burguesia uniu-se a D. João, irmão bastardo[1] do rei falecido. D. João era mestre da Ordem de Cavalaria de Avis. Por isso, esse período, marcado por intrigas, lutas e conflitos contra os planos de D. João I, rei de Castela, ficaram conhecidas como revolução de Avis. Essas lutas foram travadas externamente contra os castelhanos e internamente contra a nobreza agrária que não apoiavam o progresso comercial burguês. A batalha de Aljubarrota (1385) é o marco final da vitória dos portugueses.

Antônio Sérgio, historiador português, afirma que a luta de Aljubarrota foi mais do que uma luta entre duas nações. Foi uma luta de classes. A vitória da burguesia próspera e visionária dos descobrimentos marítimos e de uma nova ordem social contra o conservadorismo da nobreza agrária.




A dinastia de Avis

Iniciava-se o governo da dinastia de Avis (1385 – 1580). A burguesia, instalada no poder, consolidava sua aliança com o rei, antes de qualquer outro Estado moderno europeu. O princípio da autoridade real prevalecia e o trabalho de codificação das novas leis completou-se no reinado de Afonso V, em 1446, com as Ordenações Afonsinas.

Nesse período, as cidades do norte da Itália (Genova e Veneza) eram potências mercantis no Mediterrâneo Oriental, obtendo enormes lucros no comércio com os árabes muçulmanos e exerciam um verdadeiro monopólio comercial na bacia mediterrânea.

A burguesia portuguesa e seu governo pretendiam romper esse monopólio comercial. A rota Mar do Norte – Mediterrâneo transformara-se o principal caminho comercial favorecendo principalmente Portugal. Além disso, os monarcas portugueses tinham o apoio da Igreja, interessada em prosseguir a luta contra os muçulmanos.

Todos esses acontecimentos fizeram de Portugal o primeiro país europeu a constituir um Estado Absolutista e Mercantilista. Absolutista porque o poder do rei era absoluto. O rei tinha autoridade total sobre a nação, independente de limitações constitucionais (limites impostos por uma constituição).

Mercantilista porque decidiu dar mais importância para as atividades comerciais. Procurava fazer com que o valor de suas exportações[1] fosse maior que o valor das importações[2].


[1] Bastardo: filho nascido fora do casamento oficial, sendo considerado ilegítimo e, pelas regras da monarquia portuguesa, sem direito à sucessão.


Genealogia de D. João, Mestre de Avis.





[1] Exportação: venda de produtos nacionais para o estrangeiro.
[2] Importações: Compra de produtos estrangeiros.



Fontes Bibliográficas:

Cotrim, Gilberto. História do Brasil e Nova Consciência: dos primeiros povos ao século XVIII: Ensino Médio. 5ª ed., São Paulo: Saraiva 2001.


Schneeberger, Carlos Alberto. Mini manual Compacto de História do Brasil. Ed São Paulo: Rideel, 2003.

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