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Sol dos Orixás

segunda-feira, 3 de agosto de 2009

O Iluminismo

Contexto Histórico
Ascensão da Burguesia e a Crise do Antigo Regime
A chamada Idade Moderna, na Europa, foi vivida sob a égide de dois componentes essenciais e complementares, o Estado absolutista e o mercantilismo. A integração entre esses dois elementos é que dá a significação histórica do período.
A monarquia absolutista, como já sabemos, definiu-se pelo seu próprio caráter social. Tratava-se de um Estado, no qual a velha nobreza feudal
encontrava-se protegida por um Estado forte, capaz de garantir suas terras e privilégios, seu poder político e a contenção das revoltas camponesas.

Ao mesmo tempo, a sustentação desse Estado dependia da capacidade de manter um exército poderoso, uma administração eficiente e a justiça sob controle. Tudo isso gerava a necessidade de uma arrecadação, capaz de suprir os recursos necessários, à manutenção dessa estrutura.
Nesse sentido, a atividade feudal - decadente, mas ainda fundamental - convivia com uma crescente atividade mercantil. Entretanto, deve-se considerar que a agricultura, a atividade feudal, a terra, enfim, estava nas mãos da nobreza, que tinha como um de seus privilégios a isenção do pagamento de tributos. Assim, tudo o que o Estado arrecadasse proviria, necessariamente, da atividade mercantil.
Se tomarmos todos os grandes empreendimentos mercantis do período inicial da Idade Moderna - expansão marítima, montagem do sistema colonial, formação de poderosas marinhas mercantes, abertura de estradas, construção de portos, estabelecimento de condições para o tráfico negreiro etc., veremos que todos eles tiveram nas monarquias européias seu principal agente.
Pela primeira vez havia o que se pode chamar de uma política econômica, a qual foi, posteriormente, chamada de mercantilismo.
O século XVII e XVIII representa, na Europa, essa contradição. Por um lado, monarquias poderosas, nas quais o poder do rei confunde-se com o próprio Estado. De outro, uma burguesia rica, ascendente, que não aceita mais o absolutismo e a intervenção do Estado na economia, nem os privilégios cada vez mais onerosos da nobreza, pagos com o dinheiro gerado pela ação econômica burguesa.


Visão Racional e Científica


É essa realidade que deu ensejo a um novo movimento cultural, ao qual se deu o nome de Ilustração ou iluminismo. Trata-se de um amplo movimento artístico, filosófico, literário e científico que, historicamente, representa a expressão da época.
O próprio termo Iluminismo liga-se a essa visão de que a razão e a ciência trariam a luz que irá superar o obscurantismo da fé, dos dogmas e das superstições. Não foi, por acaso, que o século XVIII ficou conhecido como o Século das luzes.

A burguesia já não aceita mais as características que marcam a vida européia, às quais o próprio Iluminismo deu o nome de Antigo Regime. A própria designação já é em si pejorativa. A palavra antigo não tem aqui qualquer sentido cronológico. O conceito refere-se a ultrapassado, superado, retrógrado, denotando toda a extensão da crítica que essa nova visão de mundo significava.
Partindo da tradição forjada ao longo do século XVII, o Iluminismo teve no racionalismo sua base fundamental de análise. A razão, vista como a única guia para o conhecimento e o único critério para a diferenciação entre o bem e o mal, representava também uma violenta crítica aos velhos valores baseados nas tradições e no papel desempenhado pela Igreja, propagadora da fé católica e detentora do monopólio do ensino em vários países europeus.
No âmbito político, o elemento central foi à defesa da liberdade política, numa negação do absolutismo que ainda caracterizava as monarquias européias, à exceção da Inglaterra. Tal liberdade manifesta-se na existência de participação política que limitem o poder do governante e permitam, aos cidadãos, expressarem seus anseios acima e além da vontade do governante.
Ao lado dessa visão liberal em termos políticos, a defesa da liberdade econômica foi uma constante.
Em termos sociais, o Iluminismo tinha por base a defesa da igualdade social, aqui entendida como a negação dos privilégios de que gozavam a nobreza e o clero.


Os principais nomes do pensamento iluminista

O final do século XVII e o século XVIII foram um período pródigo no surgimento de vultos que podem ser vistos como geradores das bases da ciência moderna. Entre esses expoentes, podemos citar:
John Locke (1632 – 1704) - O principal teórico da Revolução Gloriosa, pode ser visto como o grande formulador dos princípios do liberalismo político. Sua análise, essencialmente racional, tinha por base a negação das concepções fundamentais de Thomas Hobbes, um dos principais defensores teóricos do absolutismo.
Partindo da própria formulação de Hobbes, de que o Estado surge da vontade e da ação do homem, Locke defende a visão de que, em sendo assim, esse Estado só é legítimo se expressar a vontade e o consentimento dos governados, manifestos através de representantes eleitos. Assim, a criação do Estado era por ele vista como um ato de liberdade do homem, e não negação.
Mais que isso, ao teorizar sobre o papel do Parlamento, por ele definido como um poder legislativo lançou as bases da teoria da divisão de poderes, mais tarde aperfeiçoada por Montesquieu.

Montesquieu (1689-1755) - No plano das idéias essencialmente políticas, Carlos Secondand, barão de Montesquieu tomando por base as idéias de John Locke, defendeu a concepção da soberania do povo, ridicularizando os costumes e as instituições vigentes no Absolutismo. Em sua obra O Espírito das Leis, estabeleceu a teoria da divisão de poderes em Executivo, Legislativo e Judiciário, cuja independência e equilíbrio eram à única maneira de se assegurar a liberdade.
É importante lembrar que o Iluminismo representa um momento em que a iniciativa histórica está nas mãos da burguesia. Assim, os pensadores do período, de modo geral, externam uma visão ligada aos interesses dessa classe. Não há no pensamento iluminista, à exceção de Rousseau,
como veremos a seguir, uma concepção popular ou mesmo democrática da sociedade.

Voltaire (1694-1778) - François Marie Arouet, conhecido como Voltaire, foi um crítico sarcástico do absolutismo e da intolerância religiosa. Exilado na Inglaterra, tomou a monarquia parlamentar como exemplo de governo esclarecido. Ficou conhecido especialmente por seu anticlericalismo e por suas violentas críticas à estrutura de privilégios que marcava o Antigo Regime. Além disso, são dele as formulações mais importantes acerca do modelo educacional que deveria ser adotado, privilegiando a ciência e a razão em detrimento da fé e dos dogmas.
O matemático Jean D'Alembert (1717-1783) e o filósofo Denis Diderot (1713-1784) foram os responsáveis pela organização da Enciclopédia, obra que pretendia sintetizar o pensamento iluminista, abrangendo todos os campos do conhecimento. Formada por 35 volumes e pelo trabalho de 130 colaboradores, teve como idéias centrais a valorização da razão como contraponto à fé, a ciência concebida como meio de se alcançar o progresso, a crítica à Igreja e ao clero pelo seu endosso ao absolutismo e a concepção do governo como resultante de um contrato entre governantes e governados.
Uma postura diferenciada é defendida pelo suíço Jean Jacques Rousseau(1712-1778). Assumindo uma visão bem mais popular e, no moderno sentido do termo, democrática, Rousseau defendeu a tese da bondade natural do homem, pervertido pela civilização, concebendo o bom selvagem. No Discurso sobre a Origem da Desigualdade entre os Homens, - ele defende que a propriedade é a origem da desigualdade e responsável pela miséria humana.
Coerente com essa posição, ele é o único dos principais nomes do Iluminismo a defender o voto universal. Em sua obra mais conhecida, O Contrato Social, formulou a teoria da vontade geral, que situava a soberania na vontade da maioria. Sua teoria teve grande aceitação entre a pequena burguesia e as camadas populares, dado seu caráter de formulação de um Estado democrático. Num certo aspecto, Rousseau pode ser visto como um precursor das idéias socialistas do século XIX.
Os revolucionários franceses resumiram o pensamento social de Rousseau em três palavras: Liberdade, Igualdade e Fraternidade, que, juntas, compuseram o lema da Revolução Francesa.


Gilberto Salomão. Formado em história pela USP, é professor do Curso Intergraus e autor dos livros de história do Sistema de Ensino Poliedro. (Texto resumido)

Fonte Bibliográfica:
HTTP://educação.uol.com.br/história/iluminismo


2 comentários:

  1. Professora Tânia, é para resumir esse texto do "Iluiminismo" e colocar no portifolio?

    Amanda

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  2. Amanda,
    Quando eu sugeri, desde o 1º bimestre, a elaboração de resumos - depois do estudo atento do texto - foi com o objetivo de facilitar o processo de aprendizagem. É uma maneira de fugir do horrível "decoreba". Só depois da comprensão do texto é que você vai estar preparada para resolver as questões de revisão e fixação do conteúdo.
    Mas,se ainda estiver em dúvida, fale comigo na escola,viu? Você já se inscreveu como seguidora do blog?
    Obrigada pelo comentário.

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