Minhas Imagens

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Sol dos Orixás

terça-feira, 12 de maio de 2009

O Rio de Janeiro é a nova capital - 1763

Texto Complementar

A mineração estimulou o crescimento não apenas de Minas Gerais, mas também do Rio de Janeiro, São Paulo, Sul do Brasil e do nordeste. O mercado interno teve um grande desenvolvimento. De certo modo, a prosperidade continuou mesmo depois do declínio da produção de ouro e de diamantes. É o que você pode ler a seguir:

“A produção aurífera cresceu rapidamente, dando a impressão, falsa, aliás, de uma grande durabilidade das reservas. (...) Em pouco tempo, o Rio de Janeiro, porto mais próximo e mais bem equipado, tornou-se um importante centro comercial, sendo ponto de embarque das pedras preciosas e de ouro, e porto abastecedor dos sertões mineiros. (...)
Podemos dizer que:
1. A mineração alargou, de forma considerável, a faixa de ocupação do território brasileiro;
2. A economia do ouro conseguiu atrair para si a pecuária sulina, através de São Paulo, e a nordestina, através do rio São Francisco, integrando as ilhas de povoamento em que se convertera a colonização portuguesa. (...)
Ao mesmo tempo, os núcleos mineradores demandaram um número crescente de escravos (...) e também relançando, agora a partir do Rio de Janeiro, o trafico negreiro, como uma fonte inesgotável de lucros. (...)
Mesmo findo o rush (apogeu), a região das Minas gerais possuía vasta população, livre e escrava, e uma rede de comercialização e distribuição de produtos - os tropeiros - bastante ampla, que soube aproveitar, convertendo-se em um amplo campo de produção de alimentos, dessa vez para o abastecimento do Rio de Janeiro, já no alvorecer do século XIX. “

Teixeira da Silva, Francisco Carlos. Conquista e Colonização da América Portuguesa. In: Linhares, Maria Yedda (org). História Geral do Brasil, 6ª Ed. Rio de janeiro: campus, 1996, PP. 68-69.

Schimidt, Mário. Nova História Crítica. 7ª Série, 2ª Ed. São Paulo: Nova Geração, 2002, PP. 61.


A partir do que é apresentado pelo autor no texto acima, justifique:

1. Explique a diferença entre mercado interno e mercado externo.
2. Qual foi a conseqüência da mineração para a cidade do Rio de janeiro?
3. Por que o Rio de Janeiro ganhou destaque na época da mineração?
4. De que modo a economia mineradora integrou as regiões Sul e Nordeste ao Sudeste?
5. Com o declínio da mineração, a população em Minas gerais diminuiu ou se manteve estável? Qual foi o motivo econômico para isso?
6. Explique:
“Os núcleos mineradores demandaram um número crescente de escravos (...) e também relançando, agora a partir do Rio de Janeiro, o trafico negreiro, como uma fonte inesgotável de lucros.”

Senhores pais,

O melhor investimento ainda é a educação.

Professora Tânia

terça-feira, 5 de maio de 2009

A Época do Ouro no Brasil Colonial

A mineração, marcada pela extração de ouro e diamantes nas regiões de Goiás, Mato Grosso e, principalmente, em Minas Gerais, atingiu o apogeu entre os anos de 1750 e 1770, século XVIII, justamente no período em que a Inglaterra se industrializava e se consolidava como uma potência, exercendo uma forte influência econômica sobre Portugal.


Economia, Sociedade e Cultura
O ciclo do ouro e do diamante foi responsável por profundas mudanças na vida colonial. Em cem anos a população cresceu de 300 mil para, aproximadamente, 3 milhões de pessoas, incluindo aí, um deslocamento de 800 mil portugueses para o Brasil. Paralelamente foi intensificado o comércio interno de escravos - cerca de 600 mil negros vindos do nordeste - . Tais deslocamentos do eixo sócioeconômico do litoral para o interior da colônia, acarretou a mudança da capital de Salvador para o Rio de Janeiro, cidade de mais fácil acesso à região mineradora.
A vida urbana mais intensa viabilizou também, melhores oportunidades no mercado interno e uma sociedade mais flexível, principalmente se contrastada com o imobilismo da sociedade açucareira.
Embora mantivesse a base escravista, a sociedade mineradora diferenciava-se da açucareira, por seu comportamento urbano, menos aristocrático e intelectualmente mais evoluído.
Era comum no século XVIII, ser grande minerador e latifundiário ao mesmo tempo. Portanto, a camada socialmente dominante era mais heterogênea, representada pelos grandes proprietários de escravos, grandes comerciantes e burocratas.

A novidade foi o surgimento de um grupo intermediário formado por pequenos comerciantes, intelectuais, artesãos e artistas que viviam nas grandes cidades.
O segmento abaixo era formado por homens livres pobres (brancos, mestiços e negros libertos), que eram faiscadores, aventureiros e biscateiros, enquanto que a base social permanecia formada por escravos que em meados do século XVIII, representavam 70% da população mineira.

Para o cotidiano de trabalho dos escravos, a mineração foi um retrocesso, pois apesar de alguns terem conseguido a liberdade, a grande maioria passou a viver em condições bem piores do que no período anterior, escavando em verdadeiros buracos onde até a respiração era dificultada. Trabalhavam também na água ou atolados no barro no interior das minas. Essas condições desumanas resultam na organização de novos quilombos, como do rio das Mortes, em Minas Gerais, e o de Carlota, no Mato Grosso. Com o crescimento do número de pequenos e médios proprietários a mineração gerou uma menor concentração de renda, ocorrendo inicialmente um processo inflacionário, seguido pelo desenvolvimento de uma sólida agricultura de subsistência, que juntamente com a pecuária, consolidaram-se como atividades subsidiárias e periféricas.

O desenvolvimento do comércio e a acentuação da vida urbana trouxe também mudanças culturais e intelectuais, destacando-se a chamada escola mineira, que se transformou no principal centro do Arcadismo no Brasil. São expoentes as obras esculturais e arquitetônicas de Antônio Francisco Lisboa, o "Aleijadinho", em Minas Gerais ( imagem à esquerda de um dos doze profetas - Igreja do Senhor Jesus de Matosinhos, município de Congonhas), e do Mestre Valentin no Rio de janeiro.
Na música destaca-se o estilo sacro barroco do mineiro José Joaquim Emérico Lobo de Mesquita, além da música popular representada pela modinha e pela cantiga de ninar de origem lusitana e pelo lundu de origem africana.

A Decadência do Período
Na segunda metade do século XVIII, a mineração entra em decadência com a paralisação das descobertas. Como as outras atividades eram subsidiárias ao ouro e ao diamante, toda economia colonial entrou em declínio.

Contexto Europeu Inglaterra/Portugal
Em contrapartida, ao desenvolvimento econômico da Inglaterra, Portugal enfrentava enormes dificuldades econômicas e financeiras.
Dos vários tratados que comprovam a crescente dependência portuguesa em relação à Inglaterra, destaca-se o Tratado de Methuem, também conhecido como Tratado de Panos e Vinhos em 1703, pelo qual Portugal é obrigado a adquirir os tecidos da Inglaterra e essa, os vinhos portugueses. Para Portugal, esse acordo agravava o acentuado déficit na balança comercial pois o valor das importações dos tecidos ingleses superava o das exportações (vinhos). É importante notar que o Tratado de Methuem ocorreu alguns anos depois da descoberta das primeiras grandes jazidas de ouro em Minas Gerais e, que, bem antes de sua assinatura, as importações inglesas já arruinavam as manufaturas portuguesas. O tratado, deve ser considerado , como um importante fator de domínio econômico inglês sobre Portugal.A suposta riqueza gerada pela mineração não permaneceu no Brasil e nem foi para Portugal. A dependência lusa em relação ao capitalismo inglês era antiga, e nesse sentido, grande parte das dívidas portuguesas, acabaram sendo pagas com ouro brasileiro, o que viabilizou ainda mais, uma grande acumulação de capital na Inglaterra, indispensável para o seu pioneirismo na Revolução Industrial.
Sendo assim, a primeira metade do século XIX será representada pelo Renascimento Agrícola, fase economicamente transitória, marcada pela diversificação rural (algodão, açúcar, tabaco, cacau e café), que se estenderá até a consolidação da monocultura cafeeira, iniciada por volta de 1870 no Vale do Paraíba.

Moedas portuguesas do século XVIII cunhadas com ouro do Brasil

Referências Bibliográficas

Cotrim, Gilberto. História e Consciência do Brasil. Saraiva: São Paulo, 11ª edição reformulada. Nicolina Luíza de Petta, Eduardo Aparício Baez Ojeda. História: uma abordagem integrada, volume único, 1ª ed., São paulo: Moderna, 1999.
http://www.suapesquisa.com/. Acesso 29. 03. 2009.