Minhas Imagens

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segunda-feira, 3 de agosto de 2009

O Iluminismo

Contexto Histórico
Ascensão da Burguesia e a Crise do Antigo Regime
A chamada Idade Moderna, na Europa, foi vivida sob a égide de dois componentes essenciais e complementares, o Estado absolutista e o mercantilismo. A integração entre esses dois elementos é que dá a significação histórica do período.
A monarquia absolutista, como já sabemos, definiu-se pelo seu próprio caráter social. Tratava-se de um Estado, no qual a velha nobreza feudal
encontrava-se protegida por um Estado forte, capaz de garantir suas terras e privilégios, seu poder político e a contenção das revoltas camponesas.

Ao mesmo tempo, a sustentação desse Estado dependia da capacidade de manter um exército poderoso, uma administração eficiente e a justiça sob controle. Tudo isso gerava a necessidade de uma arrecadação, capaz de suprir os recursos necessários, à manutenção dessa estrutura.
Nesse sentido, a atividade feudal - decadente, mas ainda fundamental - convivia com uma crescente atividade mercantil. Entretanto, deve-se considerar que a agricultura, a atividade feudal, a terra, enfim, estava nas mãos da nobreza, que tinha como um de seus privilégios a isenção do pagamento de tributos. Assim, tudo o que o Estado arrecadasse proviria, necessariamente, da atividade mercantil.
Se tomarmos todos os grandes empreendimentos mercantis do período inicial da Idade Moderna - expansão marítima, montagem do sistema colonial, formação de poderosas marinhas mercantes, abertura de estradas, construção de portos, estabelecimento de condições para o tráfico negreiro etc., veremos que todos eles tiveram nas monarquias européias seu principal agente.
Pela primeira vez havia o que se pode chamar de uma política econômica, a qual foi, posteriormente, chamada de mercantilismo.
O século XVII e XVIII representa, na Europa, essa contradição. Por um lado, monarquias poderosas, nas quais o poder do rei confunde-se com o próprio Estado. De outro, uma burguesia rica, ascendente, que não aceita mais o absolutismo e a intervenção do Estado na economia, nem os privilégios cada vez mais onerosos da nobreza, pagos com o dinheiro gerado pela ação econômica burguesa.


Visão Racional e Científica


É essa realidade que deu ensejo a um novo movimento cultural, ao qual se deu o nome de Ilustração ou iluminismo. Trata-se de um amplo movimento artístico, filosófico, literário e científico que, historicamente, representa a expressão da época.
O próprio termo Iluminismo liga-se a essa visão de que a razão e a ciência trariam a luz que irá superar o obscurantismo da fé, dos dogmas e das superstições. Não foi, por acaso, que o século XVIII ficou conhecido como o Século das luzes.

A burguesia já não aceita mais as características que marcam a vida européia, às quais o próprio Iluminismo deu o nome de Antigo Regime. A própria designação já é em si pejorativa. A palavra antigo não tem aqui qualquer sentido cronológico. O conceito refere-se a ultrapassado, superado, retrógrado, denotando toda a extensão da crítica que essa nova visão de mundo significava.
Partindo da tradição forjada ao longo do século XVII, o Iluminismo teve no racionalismo sua base fundamental de análise. A razão, vista como a única guia para o conhecimento e o único critério para a diferenciação entre o bem e o mal, representava também uma violenta crítica aos velhos valores baseados nas tradições e no papel desempenhado pela Igreja, propagadora da fé católica e detentora do monopólio do ensino em vários países europeus.
No âmbito político, o elemento central foi à defesa da liberdade política, numa negação do absolutismo que ainda caracterizava as monarquias européias, à exceção da Inglaterra. Tal liberdade manifesta-se na existência de participação política que limitem o poder do governante e permitam, aos cidadãos, expressarem seus anseios acima e além da vontade do governante.
Ao lado dessa visão liberal em termos políticos, a defesa da liberdade econômica foi uma constante.
Em termos sociais, o Iluminismo tinha por base a defesa da igualdade social, aqui entendida como a negação dos privilégios de que gozavam a nobreza e o clero.


Os principais nomes do pensamento iluminista

O final do século XVII e o século XVIII foram um período pródigo no surgimento de vultos que podem ser vistos como geradores das bases da ciência moderna. Entre esses expoentes, podemos citar:
John Locke (1632 – 1704) - O principal teórico da Revolução Gloriosa, pode ser visto como o grande formulador dos princípios do liberalismo político. Sua análise, essencialmente racional, tinha por base a negação das concepções fundamentais de Thomas Hobbes, um dos principais defensores teóricos do absolutismo.
Partindo da própria formulação de Hobbes, de que o Estado surge da vontade e da ação do homem, Locke defende a visão de que, em sendo assim, esse Estado só é legítimo se expressar a vontade e o consentimento dos governados, manifestos através de representantes eleitos. Assim, a criação do Estado era por ele vista como um ato de liberdade do homem, e não negação.
Mais que isso, ao teorizar sobre o papel do Parlamento, por ele definido como um poder legislativo lançou as bases da teoria da divisão de poderes, mais tarde aperfeiçoada por Montesquieu.

Montesquieu (1689-1755) - No plano das idéias essencialmente políticas, Carlos Secondand, barão de Montesquieu tomando por base as idéias de John Locke, defendeu a concepção da soberania do povo, ridicularizando os costumes e as instituições vigentes no Absolutismo. Em sua obra O Espírito das Leis, estabeleceu a teoria da divisão de poderes em Executivo, Legislativo e Judiciário, cuja independência e equilíbrio eram à única maneira de se assegurar a liberdade.
É importante lembrar que o Iluminismo representa um momento em que a iniciativa histórica está nas mãos da burguesia. Assim, os pensadores do período, de modo geral, externam uma visão ligada aos interesses dessa classe. Não há no pensamento iluminista, à exceção de Rousseau,
como veremos a seguir, uma concepção popular ou mesmo democrática da sociedade.

Voltaire (1694-1778) - François Marie Arouet, conhecido como Voltaire, foi um crítico sarcástico do absolutismo e da intolerância religiosa. Exilado na Inglaterra, tomou a monarquia parlamentar como exemplo de governo esclarecido. Ficou conhecido especialmente por seu anticlericalismo e por suas violentas críticas à estrutura de privilégios que marcava o Antigo Regime. Além disso, são dele as formulações mais importantes acerca do modelo educacional que deveria ser adotado, privilegiando a ciência e a razão em detrimento da fé e dos dogmas.
O matemático Jean D'Alembert (1717-1783) e o filósofo Denis Diderot (1713-1784) foram os responsáveis pela organização da Enciclopédia, obra que pretendia sintetizar o pensamento iluminista, abrangendo todos os campos do conhecimento. Formada por 35 volumes e pelo trabalho de 130 colaboradores, teve como idéias centrais a valorização da razão como contraponto à fé, a ciência concebida como meio de se alcançar o progresso, a crítica à Igreja e ao clero pelo seu endosso ao absolutismo e a concepção do governo como resultante de um contrato entre governantes e governados.
Uma postura diferenciada é defendida pelo suíço Jean Jacques Rousseau(1712-1778). Assumindo uma visão bem mais popular e, no moderno sentido do termo, democrática, Rousseau defendeu a tese da bondade natural do homem, pervertido pela civilização, concebendo o bom selvagem. No Discurso sobre a Origem da Desigualdade entre os Homens, - ele defende que a propriedade é a origem da desigualdade e responsável pela miséria humana.
Coerente com essa posição, ele é o único dos principais nomes do Iluminismo a defender o voto universal. Em sua obra mais conhecida, O Contrato Social, formulou a teoria da vontade geral, que situava a soberania na vontade da maioria. Sua teoria teve grande aceitação entre a pequena burguesia e as camadas populares, dado seu caráter de formulação de um Estado democrático. Num certo aspecto, Rousseau pode ser visto como um precursor das idéias socialistas do século XIX.
Os revolucionários franceses resumiram o pensamento social de Rousseau em três palavras: Liberdade, Igualdade e Fraternidade, que, juntas, compuseram o lema da Revolução Francesa.


Gilberto Salomão. Formado em história pela USP, é professor do Curso Intergraus e autor dos livros de história do Sistema de Ensino Poliedro. (Texto resumido)

Fonte Bibliográfica:
HTTP://educação.uol.com.br/história/iluminismo


segunda-feira, 29 de junho de 2009

A Revolução Inglesa

Triunfo da burguesia e dos valores capitalistas sobre a sociedade

A crise do século XVII
No século XVI, a Inglaterra havia se tornado uma grande potência econômica européia. O comércio marítimo com outras nações, as manufaturas de tecidos de lã e as colônias na América eram exemplos de sua prosperidade.

Mas, no século XVII, a situação mudou. A Europa atravessou um longo período de crise econômica, que afetou diversos países. Para que o Estado continuasse forte apesar da crise, os reis ingleses aumentaram os impostos de forma absurda. Com exceção dos nobres proprietários de grandes feudos e dos grandes comerciantes que recebiam privilégios do Estado, a maioria dos ingleses estava insatisfeita. Ninguém aceitava pagar tantos impostos ao governo.

No século XVII, o absolutismo dos reis da dinastia Stuart tornou-se tão opressor que acabou provocando a rebelião das classes sociais contrárias aos privilégios da aristocracia feudal.
Os camponeses, por exemplo, odiavam pagar tributos feudais aos nobres, os pequenos e médios fazendeiros, por sua vez, queriam liberdade para ampliar suas propriedades e os burgueses que precisavam desenvolver seus negócios eram sufocados pelas restrições mercantilistas.
Por todos esses motivos, não é difícil imaginar que as classes sociais insatisfeitas dirigiam seu ódio ao Estado absolutista. Afinal, o rei protegia os nobres e alguns burgueses privilegiados, enquanto o restante da população se sentia completamente oprimida.
Desde o século XIII já existia um Parlamento na Inglaterra. No início, tratava-se de uma assembléia de senhores feudais que controlava o rei. Com o passar do tempo, os monarcas absolutistas foram ganhando tanta autoridade que o Parlamento praticamente não era ouvido.
No século XVII, porém, a situação mudou: cresceu muito o número de parlamentares representantes da burguesia e da nobreza descontente, que eram as classes sociais que mais enriqueciam no país.

O Parlamento, então, ligado a essas classes que estavam se fortalecendo economicamente, queria ampliar seus direitos. Mas o rei tentava, a todo o custo, manter seus poderes absolutistas intactos.

A Guerra Civil
Chamamos de guerra civil um conflito que envolve o povo de um mesmo país. Na guerra civil inglesa (1641 – 1645), enfrentaram-se os exércitos fiéis ao rei e os exércitos leais ao Parlamento. Foi, portanto, uma guerra política.

Todas as classes sociais se achavam envolvidas nesse conflito. O rei Carlos I era apoiado pelos tradicionais senhores feudais e pelos grandes comerciantes, que mantinham monopólios mercantilistas. O parlamento, por sua vez, tinha apoio das classes revolucionárias: a burguesia, os artesãos, os camponeses, a pequena nobreza rural - chamada pelos ingleses de gentry - e os pequenos e médios proprietários, chamados de yeomen.

Além de política, a guerra civil inglesa foi também um conflito religioso. A Igreja Anglicana – criada pelo rei Henrique XVIII no século XVI - estava ligada ao Estado absolutista, ou seja, estava ligada a maioria dos senhores feudais.

A população em geral, porém, era em grande parte calvinista. Na Inglaterra e na Escócia, os calvinistas eram chamados de puritanos ou presbiterianos.

O rei tentou impor o anglicanismo em todo o país e esperava que o povo aceitasse o absolutismo como um direito divino. Os calvinistas, que formavam em grande parte o exército do Parlamento, não aceitavam a doutrina do direito divino dos reis.
Depois de batalhas sangrentas, o exército do Parlamento derrotou o exército real e o rei Carlos I foi preso e condenado à morte.

A Inglaterra tinha deixado de ser uma monarquia e tornou-se uma república.


No campo, a pequena nobreza rural (os gentry), e os pequenos e médios proprietários (yeomen) vinham enriquecendo. Quanto mais prosperavam, mais esses capitalistas rurais desejavam terras. Esse grupo dedicava-se à agricultura comercial: produziam e vendiam lã e alimentos para exportação. Para consegui-las eles começaram a cercar seus domínios, expulsando as famílias de camponeses que lá viviam. A essa prática deu-se o nome de cercamento.
À medida que os navios ingleses chegavam a lugares mais distantes levando mercadorias da Inglaterra, mais a gentry e os yeomen enriqueciam
.


O governo de Cromwell

Depois de vencer revoltas internas e externas contra seu governo, Cromwell promulgou, a partir de 1651, leis conhecidas como os Atos de Navegação. Essas leis diziam que todas as mercadorias que entrassem ou saíssem pelos portos da Grã-Bretanha só podiam ser transportadas em navios pertencentes a ingleses e com no mínimo, a metade da tripulação formada por ingleses.

Os Atos de Navegação favoreceram a burguesia britânica, especialmente os donos de navios, e prejudicaram os comerciantes holandeses, que lucravam com o transporte de produtos para a Inglaterra.

A Restauração da Monarquia
A pós a morte de Cromwell (1658), as classes abastadas – a nobreza feudal e a burguesia – concordaram em restaurar a monarquia. Carlos II, da dinastia Stuart, filho do rei decapitado, foi coroado em 1660.

Pela declaração dos Direitos (1689) o rei precisava da aprovação da maioria dos parlamentares para tomar as decisões mais importantes, como convocar o exército, criar impostos ou suspender leis.

A Inglaterra deixava de ser uma monarquia absolutista e tornava-se uma monarquia parlamentar. Os ingleses deixaram de ser apenas súditos adquirindo os direitos e deveres de cidadãos

Repercussão Mundial
A revolução inglesa, além disso, favoreceu o desenvolvimento do capitalismo¹. A partir de então, foram tomadas várias medidas favoráveis ao crescimento das manufaturas, das empresas rurais e da indústria naval. Tudo isso contribuiu para a liderança econômica e política da burguesia inglesa nos séculos seguintes. Essa revolução influenciou também o movimento de independência das Treze Colônias da América (1776) e da Revolução Francesa, em 1789. No Brasil, aconteceram tentativas de obter a independência com a Inconfidência Mineira (1789) e a Conjuração baiana (1798)

¹ Capitalismo: sistema econômico em que predominam a propriedade privada dos meios de produção – terras, fábricas, máquinas, equipamentos, etc. -, as relações assalariadas de trabalho e a produção visando o lucro.


Habeas Corpus: direito de todos
Em 1679, o Parlamento inglês aprovou a Lei do Habeas-corpus, princípio pelo qual ninguém pode ficar preso sem a ordem expressa de um juiz. Assim, o habeas corpus limitou os abusos da autoridade, comuns na Inglaterra absolutista. Atualmente, o habeas corpus existe na Constituição de muitos países, inclusive no Brasil.
Qualquer pessoa, mesmo que não seja advogado, pode dar entrada a um pedido de habeas corpus em sua própria defesa.



Bibliografia:


  • Schmidt, Mario Furley. Nova História Crítica. 2ª Ed., São Paulo: Nova geração, 2002, pg. 18-23.

  • Boulos Júnior, Alfredo. História: Sociedade & Cidadania. 1ª Ed., São Paulo: FTD, 2006, pg. 97- 102.

quarta-feira, 24 de junho de 2009

ABsolutismo

Como os reis europeus se tornaram absolutistas

Pode-se definir o absolutismo como um sistema político e administrativo que prevaleceu nos países da Europa, na época do Antigo Regime, nos séculos XVI ao XVIII.
No final da Idade Média(séculos XIV e XV), ocorreu uma forte centralização política nas mãos dos reis. A burguesia comercial ajudou muito neste processo, pois interessava a ela um governo forte e capaz de organizar a sociedade. Portanto, a burguesia forneceu apoio político e financeiro aos reis, que em troca, criaram um sistema administrativo eficiente, unificando moedas e impostos e melhorando a segurança dentro de seus reinos.

Os poderes dos reis absolutistas
Elizabeth I - Rainda da Inglaterra
Nos séculos XV e XVI o rei concentrava praticamente todos os poderes. Criava leis sem autorização ou aprovação política da sociedade. Criava impostos, taxas e obrigações de acordo com seus interesses econômicos. Agia em assuntos religiosos, chegando, até mesmo, a controlar o clero em algumas regiões.
Todos os luxos e gastos da corte eram mantidos pelos impostos e taxas pagos, principalmente, pela população mais pobre. Esta tinha pouco poder político para exigir ou negociar. Os reis usavam a força e a violência de seus exércitos para reprimir, prender ou até mesmo matar qualquer pessoa que fosse contrária aos interesses ou leis definidas pelos monarcas.

Exemplos de alguns reis deste período:
Henrique VIII - Dinastia Tudor: governou a Inglaterra no século XVII
Luis XIV - Dinastia dos Bourbons - conhecido como Rei Sol - governou a França entre 1643 e 1715.
Fernando e Isabel - governaram a Espanha no século XVI.

Teóricos do Absolutismo
Muitos filósofos desta época desenvolveram teorias e chegaram até mesmo a escrever livros defendendo o poder dos monarcas europeus. Abaixo alguns exemplos:
· Jacques Bossuet: para este filósofo francês o rei era o representante de Deus na Terra. Portanto, todos deveriam obedecê-lo sem contestar suas atitudes.
· Nicolau Maquiavel: Escreveu o livro, O Príncipe, onde defende o poder dos reis. De acordo com as idéias deste livro, o governante pode fazer qualquer coisa em seu território para conseguir a ordem. Isso quer dizer que o governante pode usar até mesmo a violência para atingir seus objetivos. É de Maquiavel a famosa frase: “Os fins justificam os meios."
· Thomas Hobbes: Escreveu o livro O Leviatã; defendia a idéia de que rei salvou a civilização da barbárie e, portanto, através de um contrato social, a população deveria ceder ao Estado todos os poderes
John Locke: Em seu livro Segundo tratado sobre o governo civil, Locke afirmava - diferentemente da teoria da origem divina dos reis - que o Estado havia sido criado pelos indivíduos com o objetivo de proteger a propriedade, a liberdade a segurança.




terça-feira, 23 de junho de 2009

Padre Vieira recomenda paciência aos escravos

Imitação de Cristo
Não há trabalho nem gênero de vida no mundo mais parecido à cruz e à paixão de Cristo que o vosso trabalho em um destes engenhos. Bem-aventurados sereis vós se, compreendendo esta situação, souberem aproveitar e santificar o trabalho.
Em um engenho sois imitadores de Cristo crucificado. Padeceis de um modo semelhante o mesmo que o senhor padeceu na cruz. Cristo sem comer, e vós famintos. Cristo maltratado, e vós maltratados em tudo. Os ferros, as prisões, os açoites, os insultos, de tudo isso se compõe a vossa imitação.
Os senhores de escravos mandam, e vós servis. Eles dormem, e vós permaneceis acordados. Eles descansam, e vós trabalhais. Eles desfrutam de vosso trabalho, e vós recebeis um trabalho sobre outro.
Se vós souberdes aproveitar essa condição de escravos inspirando-se no exemplo e paciência de Cristo, eu vos prometo, primeiramente, que esses trabalhos se tornarão doces e, depois, que serão recompensados com a glória da ressurreição e a salvação eterna.

Atividade
  • Leia o texto com atenção e depois responda utilizando passagens do texto.
1. A vida do escravo africano nos engenhos brasileiros é, segundo o texto, uma imitação do Cristo crucificado. Como o autor procura justificar essa idéia?
2. O que o autor recomenda aos escravos para tornar doce o seu trabalho?
3. Pela leitura que você fez do texto, explique qual a posição da Igreja católica, especialmente dos jesuítas, diante da escravidão negra no período colonial. Relacione também a escravidão negra comparando-a com a escravização do índio.

sexta-feira, 19 de junho de 2009

Administração no Brasil Colonial

“O passado não reconhece o seu lugar: está sempre presente".
Mário Quintana

A lógica do lucro
Ao realizar suas conquistas ultramarinas, Portugal tinha como principal objetivo garantir a produção de riqueza sem precisar investir dinheiro na colonização. Essa meta, porém, não foi atingida com os sistemas administrativos implantados no Brasil até meados do século XVI. Assim, diante do fracasso da maioria das capitanias hereditárias, o rei de Portugal decidiu centralizar a administração adotando o sistema de Governo-Geral, ainda que mantivesse as capitanias.

Capitania de Pernambuco retratada pelo pintor holandês Frans Post.
Oficialmente o novo sistema administrativo foi criado em 1548 por um documento denominado Regimento, no qual se reafirmava a autoridade e soberania da Coroa sobre os dispersos poderes dos donatários.
Pelo Regimento, caberia ao governador-geral combater ou fazer alianças com os indígenas, enfrentar e reprimir os piratas, fundar vilas, povoações e feiras, construir navios e fortes, garantir o monopólio real sobre a exploração das riquezas, incentivar a lavoura da cana-de-açúcar, procurar metais preciosos pelo interior e defender os colonos. O documento determinava, também, que o governador teria três auxiliares: o capitão-mor, responsável pela defesa, o ouvidor-mor, encarregado da justiça, e o provedor-mor, pelas finanças.
Dividindo para governar
Após a morte de Mem Sá¹ (1558 – 1572), preocupado com o controle e a defesa da colônia, o governo português dividiu o território colonial em dois governos:
Governo do Norte, com capital em Salvador:
Governo do Sul, com capital no Rio de Janeiro.
Em 1621, o Brasil - agora sob domínio espanhol² - é novamente dividido em duas áreas administrativas:
Estado do Maranhão (capital: São Luis, posteriormente (1571), Grão-Pará e Maranhão, com capital em Belém;
Estado do Brasil, com capital em Salvador.
Em 1763, a capital é novamente transferida de Salvador para o Rio de Janeiro. A mudança, como já estudamos, foi pela necessidade de maior controle sobre a saída do ouro explorado em Minas Gerais.

¹Mem Sá (1558-1572) foi o terceiro governador-geral. Para firmar a presença portuguesa no Brasil combateu e fez alianças com vários grupos indígenas que acabaram sendo vencidos pelas armas de fogo dos portugueses.
² De 1580 a 1640, Portugal e suas colônias, inclusive o
Brasil, passaram a ser governados pelo rei da Espanha, Filipe II, neto de D. Manuel, o Venturoso.

As Câmaras Municipais

Câmaras Municipais: espaço marcado por conflitos e exclusão política

Ao decidir implantar uma administração mais centralizadora, tendo por base o governo-geral, o que o governo português buscava era efetivar maior controle na organização produtiva do sistema colonial mercantilista. No entanto, essa política centralizadora foi mais aparente do que prática, já que o poder continuou descentralizado pelas vilas e municípios, ficando em geral nas mãos dos proprietários rurais.
Com o surgimento das primeiras vilas e cidades, também foi sendo estruturada uma administração de âmbito local, a cargo das câmaras municipais, oficialmente instituídas somente nos municípios mais importantes.
As câmaras eram controladas pelos chamados “homens bons”, representados pelos grandes proprietários de terras e de escravos. Para pertencer à câmara não bastava apenas ser rico, era preciso também ter “pureza de sangue”: não eram aceitos descendentes de negros, judeus ou mouros³.
Nas câmaras municipais, os “homens bons” decidiam sobre:
Os impostos locais e a forma de arrecadá-los;
Os salários pagos a trabalhadores livres;
A conservação e a limpeza das ruas, pontes e chafarizes;
O relacionamento com os povos indígenas;
A pena a ser dada a quem cometesse um pequeno furto;
Era comum que os vereadores desobedecessem ao governador-geral. Quando havia desentendimentos ou conflitos entre eles, o governo português intervinha, muitas vezes, de forma violenta, impondo assim a sua autoridade.
³ Mouros: nome que se dava em Portugal aos árabes que se estabeleceram na Península Ibérica nos séculos VIII ao XV e a seus descendentes muçulmanos.

Igreja e Governo na colônia

Assim que chegaram à nova terra, que batizaram de Brasil, os portugueses fincaram uma cruz de madeira com as armas do rei de Portugal pregadas a ela.


Representante da Literatura Jesuíta ou de Catequese, destaca-se Padre José de Anchieta com seus poemas, autos, sermões cartas e hinos. www.jvc.eti.br


Quarta Dinastia iniciada com D. João IV - Dinastia de Bragança ou Bragantina - 1640 - 1910. Deve o seu nome aos títulos, como o de Duques de Bragança. Foi também a dinastia que reinou no Brasil.
silva.no.sapo.pt/.../4dinastia/index.html



As armas da dinastia de Bragança e a cruz indicavam a posse sobre a nova terra e o empenho na expansão da fé católica.



Victor Meirelles PRIMEIRA MISSA DO BRASIL, 1860Óleo sobre tela – 268 x 356 cmColeção Museu Nacional de Belas Artes, Rio de JaneiroFotógrafo: Eduardo Marques

Enquanto a coroa portuguesa se empenhava na instalação de uma administração centralizadora, a Igreja fortalecia, entre indígenas e africanos, a submissão as autoridades e a prática sistêmica do trabalho. Os europeus, colonos ou religiosos, não compreendiam a inadaptação do índio na engrenagem do sistema mercantil de exploração colonial e taxavam isso como preguiça e indolência. Espantavam-se, também, com a nudez dos indígenas, vista por eles como selvageria e promiscuidade.
O governo português era responsável, também, pela criação de dioceses e escolha dos bispos. O primeiro bispado do Brasil foi criado em Salvador, na Bahia (1552), e teve como primeiro bispo Pero Fernandes Sardinha.
Era tão importante a participação da Igreja na colônia que, em geral, os engenhos construíam uma capela ao lado da casa-grande. A Igreja participava da vida dos colonos do nascimento até a morte com o batismo, a crisma, a confissão, a comunhão, o casamento e a extrema-unção.

Bibliografia:
·Boulos , Alfredo. História: Sociedade & Cidadania.
1ª Ed., 7ª série, São Paulo: FTD, 2006.
· Cotrim, Gilberto. História e Consciência do Brasil. 5ª ed. São Paulo: Saraiva 1997.
· Claudi Vicentino, Gianpaolo Dorigo.
História do Brasil. São Paulo: Scipione,
1997.

terça-feira, 9 de junho de 2009

SEM COMENTÁRIOS

A ignorância é a maior multinacional do mundo.

terça-feira, 12 de maio de 2009

O Rio de Janeiro é a nova capital - 1763

Texto Complementar

A mineração estimulou o crescimento não apenas de Minas Gerais, mas também do Rio de Janeiro, São Paulo, Sul do Brasil e do nordeste. O mercado interno teve um grande desenvolvimento. De certo modo, a prosperidade continuou mesmo depois do declínio da produção de ouro e de diamantes. É o que você pode ler a seguir:

“A produção aurífera cresceu rapidamente, dando a impressão, falsa, aliás, de uma grande durabilidade das reservas. (...) Em pouco tempo, o Rio de Janeiro, porto mais próximo e mais bem equipado, tornou-se um importante centro comercial, sendo ponto de embarque das pedras preciosas e de ouro, e porto abastecedor dos sertões mineiros. (...)
Podemos dizer que:
1. A mineração alargou, de forma considerável, a faixa de ocupação do território brasileiro;
2. A economia do ouro conseguiu atrair para si a pecuária sulina, através de São Paulo, e a nordestina, através do rio São Francisco, integrando as ilhas de povoamento em que se convertera a colonização portuguesa. (...)
Ao mesmo tempo, os núcleos mineradores demandaram um número crescente de escravos (...) e também relançando, agora a partir do Rio de Janeiro, o trafico negreiro, como uma fonte inesgotável de lucros. (...)
Mesmo findo o rush (apogeu), a região das Minas gerais possuía vasta população, livre e escrava, e uma rede de comercialização e distribuição de produtos - os tropeiros - bastante ampla, que soube aproveitar, convertendo-se em um amplo campo de produção de alimentos, dessa vez para o abastecimento do Rio de Janeiro, já no alvorecer do século XIX. “

Teixeira da Silva, Francisco Carlos. Conquista e Colonização da América Portuguesa. In: Linhares, Maria Yedda (org). História Geral do Brasil, 6ª Ed. Rio de janeiro: campus, 1996, PP. 68-69.

Schimidt, Mário. Nova História Crítica. 7ª Série, 2ª Ed. São Paulo: Nova Geração, 2002, PP. 61.


A partir do que é apresentado pelo autor no texto acima, justifique:

1. Explique a diferença entre mercado interno e mercado externo.
2. Qual foi a conseqüência da mineração para a cidade do Rio de janeiro?
3. Por que o Rio de Janeiro ganhou destaque na época da mineração?
4. De que modo a economia mineradora integrou as regiões Sul e Nordeste ao Sudeste?
5. Com o declínio da mineração, a população em Minas gerais diminuiu ou se manteve estável? Qual foi o motivo econômico para isso?
6. Explique:
“Os núcleos mineradores demandaram um número crescente de escravos (...) e também relançando, agora a partir do Rio de Janeiro, o trafico negreiro, como uma fonte inesgotável de lucros.”

Senhores pais,

O melhor investimento ainda é a educação.

Professora Tânia

terça-feira, 5 de maio de 2009

A Época do Ouro no Brasil Colonial

A mineração, marcada pela extração de ouro e diamantes nas regiões de Goiás, Mato Grosso e, principalmente, em Minas Gerais, atingiu o apogeu entre os anos de 1750 e 1770, século XVIII, justamente no período em que a Inglaterra se industrializava e se consolidava como uma potência, exercendo uma forte influência econômica sobre Portugal.


Economia, Sociedade e Cultura
O ciclo do ouro e do diamante foi responsável por profundas mudanças na vida colonial. Em cem anos a população cresceu de 300 mil para, aproximadamente, 3 milhões de pessoas, incluindo aí, um deslocamento de 800 mil portugueses para o Brasil. Paralelamente foi intensificado o comércio interno de escravos - cerca de 600 mil negros vindos do nordeste - . Tais deslocamentos do eixo sócioeconômico do litoral para o interior da colônia, acarretou a mudança da capital de Salvador para o Rio de Janeiro, cidade de mais fácil acesso à região mineradora.
A vida urbana mais intensa viabilizou também, melhores oportunidades no mercado interno e uma sociedade mais flexível, principalmente se contrastada com o imobilismo da sociedade açucareira.
Embora mantivesse a base escravista, a sociedade mineradora diferenciava-se da açucareira, por seu comportamento urbano, menos aristocrático e intelectualmente mais evoluído.
Era comum no século XVIII, ser grande minerador e latifundiário ao mesmo tempo. Portanto, a camada socialmente dominante era mais heterogênea, representada pelos grandes proprietários de escravos, grandes comerciantes e burocratas.

A novidade foi o surgimento de um grupo intermediário formado por pequenos comerciantes, intelectuais, artesãos e artistas que viviam nas grandes cidades.
O segmento abaixo era formado por homens livres pobres (brancos, mestiços e negros libertos), que eram faiscadores, aventureiros e biscateiros, enquanto que a base social permanecia formada por escravos que em meados do século XVIII, representavam 70% da população mineira.

Para o cotidiano de trabalho dos escravos, a mineração foi um retrocesso, pois apesar de alguns terem conseguido a liberdade, a grande maioria passou a viver em condições bem piores do que no período anterior, escavando em verdadeiros buracos onde até a respiração era dificultada. Trabalhavam também na água ou atolados no barro no interior das minas. Essas condições desumanas resultam na organização de novos quilombos, como do rio das Mortes, em Minas Gerais, e o de Carlota, no Mato Grosso. Com o crescimento do número de pequenos e médios proprietários a mineração gerou uma menor concentração de renda, ocorrendo inicialmente um processo inflacionário, seguido pelo desenvolvimento de uma sólida agricultura de subsistência, que juntamente com a pecuária, consolidaram-se como atividades subsidiárias e periféricas.

O desenvolvimento do comércio e a acentuação da vida urbana trouxe também mudanças culturais e intelectuais, destacando-se a chamada escola mineira, que se transformou no principal centro do Arcadismo no Brasil. São expoentes as obras esculturais e arquitetônicas de Antônio Francisco Lisboa, o "Aleijadinho", em Minas Gerais ( imagem à esquerda de um dos doze profetas - Igreja do Senhor Jesus de Matosinhos, município de Congonhas), e do Mestre Valentin no Rio de janeiro.
Na música destaca-se o estilo sacro barroco do mineiro José Joaquim Emérico Lobo de Mesquita, além da música popular representada pela modinha e pela cantiga de ninar de origem lusitana e pelo lundu de origem africana.

A Decadência do Período
Na segunda metade do século XVIII, a mineração entra em decadência com a paralisação das descobertas. Como as outras atividades eram subsidiárias ao ouro e ao diamante, toda economia colonial entrou em declínio.

Contexto Europeu Inglaterra/Portugal
Em contrapartida, ao desenvolvimento econômico da Inglaterra, Portugal enfrentava enormes dificuldades econômicas e financeiras.
Dos vários tratados que comprovam a crescente dependência portuguesa em relação à Inglaterra, destaca-se o Tratado de Methuem, também conhecido como Tratado de Panos e Vinhos em 1703, pelo qual Portugal é obrigado a adquirir os tecidos da Inglaterra e essa, os vinhos portugueses. Para Portugal, esse acordo agravava o acentuado déficit na balança comercial pois o valor das importações dos tecidos ingleses superava o das exportações (vinhos). É importante notar que o Tratado de Methuem ocorreu alguns anos depois da descoberta das primeiras grandes jazidas de ouro em Minas Gerais e, que, bem antes de sua assinatura, as importações inglesas já arruinavam as manufaturas portuguesas. O tratado, deve ser considerado , como um importante fator de domínio econômico inglês sobre Portugal.A suposta riqueza gerada pela mineração não permaneceu no Brasil e nem foi para Portugal. A dependência lusa em relação ao capitalismo inglês era antiga, e nesse sentido, grande parte das dívidas portuguesas, acabaram sendo pagas com ouro brasileiro, o que viabilizou ainda mais, uma grande acumulação de capital na Inglaterra, indispensável para o seu pioneirismo na Revolução Industrial.
Sendo assim, a primeira metade do século XIX será representada pelo Renascimento Agrícola, fase economicamente transitória, marcada pela diversificação rural (algodão, açúcar, tabaco, cacau e café), que se estenderá até a consolidação da monocultura cafeeira, iniciada por volta de 1870 no Vale do Paraíba.

Moedas portuguesas do século XVIII cunhadas com ouro do Brasil

Referências Bibliográficas

Cotrim, Gilberto. História e Consciência do Brasil. Saraiva: São Paulo, 11ª edição reformulada. Nicolina Luíza de Petta, Eduardo Aparício Baez Ojeda. História: uma abordagem integrada, volume único, 1ª ed., São paulo: Moderna, 1999.
http://www.suapesquisa.com/. Acesso 29. 03. 2009.

sábado, 18 de abril de 2009

Economia e Sociedade Açucareira

Os escravos são as mãos e os pés do senhor de engenho, porque sem eles no Brasil não é possível fazer, conservar, aumentar fazenda, nem ter engenho corrente. (Padre Antonil).

A colonização do Brasil, iniciada a partir de 1530, foi marcada pelo sistema mercantilista, que girava em torno da cana e da produção do açúcar.
Nesse sentido, o Estado mercantilista procurava ampliar seus negócios numa região colonial com regras e imposição de preços e produtos para obter o máximo de lucros e vantagens possíveis.
No sistema colonial mercantilista, chamamos de:
Metrópole: o país dominador da colônia;
Colônia: a região dominada pela metrópole;
Pacto colonial: a dominação político econômica que a metrópole exerce sobre a colônia;


Assim, Portugal desenvolveu nos primeiros séculos do Brasil a empresa açucareira, montada numa estrutura socioeconômica conhecida como engenho.
Engenho de açúcar é o nome da grande propriedade agrícola destinada à produção do açúcar. As principais instalações de um engenho eram as seguintes:
Casa-grande: residência do senhor de engenho e sua família. Funcionava como a sede de onde se comandava a vida social e econômica do engenho. Moravam, também, os empregados de confiança (capatazes) e escravos domésticos.

Capela: local onde se reunia a comunidade nos domingos e dias santos, assim como nos dias de batizados, casamentos e funerais.
Senzala: habitação rústica e pobre destinada aos escravos, sem direito à privacidade, já que todos dividiam o mesmo espaço.
Casa do engenho: abrangia todas as instalações destinadas à produção do açúcar: a moenda, fornalhas, casa de purgar e os galpões.

Em torno do engenho, um tipo de sociedade foi desenvolvida. Suas características:
Patriarcalismo: o senhor de engenho era o patriarca (chefe masculino), cuja autoridade era inquestionável. Concentrava em suas mãos o poder econômico, político e ideológico.
Ruralismo: toda a vida social desenvolvia-se no ambiente rural.
Estratificação social: a mudança social de uma classe para outra praticamente não existia. Isso significa que ninguém subia ou descia de sua posição de origem. Até mesmo as pessoas das camadas intermediárias permaneciam em posições estáticas.
Embora o senhor de engenho representasse a autoridade máxima na colônia, devemos lembrar que seu poder era pequeno se comparado ao da burguesia européia. Esta ficou com os enormes lucros gerados pela comercialização do açúcar.

Grave crise econômica, país praticamente sem dinheiro, ministros à beira de um ataque de nervos. Essa era a situação de Portugal após a expulsão dos holandeses do Brasil, no século XVII. Para solucionar a crise, Portugal passou a incentivar a procura de ouro no Brasil. Encontrou em Minas Gerais, no século XVIII, que logo se tornou o maior centro minerador da colônia. Agora você vai ficar sabendo quem se beneficiou de toda essa riqueza e quais as principais características desse período para o Brasil.

Referências Bibliográficas

Cotrim, Gilberto. História e Consciência do Brasil. São Paulo: Saraiva, 11ª edição.
www.suapesquisa.com. Acesso 29. 03. 2009.

O Feudalismo e o Mercantilismo


O feudalismo foi um sistema socioeconômico que marcou a vida européia durante grande parte da Idade Média. Nesse sistema, a posse da terra era muito importante, pois as pessoas viviam diretamente daquilo que produziam no feudo.
Na sociedade feudal os principais estamentos eram a nobreza, o clero e os servos.
A nobreza era constituída pelos proprietários de terra que se dedicavam basicamente as atividades militares.
O clero era formado pelos membros da Igreja católica, destacando-se o alto clero, constituído pelos bispos, abades e cardeais.
Os servos representavam a maioria da população camponesa. Eram responsáveis por todos os trabalhos necessários à subsistência material como a produção de alimentos, roupas, criação de animais, etc.
Além desses três extratos sociais havia um reduzido número de escravos e uma pequena população urbana formada por pequenos artesãos e comerciantes que se dedicavam ao comércio. Mas, a partir do século XV, a terra deixou de ser a principal fonte de riqueza. O comércio, com a expansão marítima, tornou-se cada vez mais forte, até transformar-se na mais importante atividade econômica. Esse período, marcado pelo desenvolvimento comercial ou mercantil, é chamado de mercantilismo.
Ideologia do Mercantilismo
Metalismo: A riqueza de um Estado dependia do acúmulo de metais nobres (ouro e prata);
Balança de comércio favorável: para conseguir nobres metais nobres, o Estado mercantilista esforçava-se para exportar. Era preciso que os lucros com a exportação fossem maiores que os gastos com as importações.
Protecionismo: para que a balança de comércio fosse favorável, o Estado mercantilista adotou uma política de intervenção na economia, incentivando a produção de artigos competitivos que pudessem concorrer com vantagem nos mercados externos.
As Práticas Econômicas dos Estados mercantilistas

O Desenvolvimento das Manufaturas

A crescente procura de mercadorias gerada pelo mercantilismo estimulou a produção doméstica têxtil e a criação de oficinas de manufaturas. Tais sistemas desenvolveram-se em função da ação dos comerciantes que se interpôs entre o produtor e o consumidor. Ele era o empresário burguês que, de posse do capital, fornecia ao artesão a matéria-prima, as ferramentas, pagava o salário e se encarregava da venda do produto.
No período de inatividade no campo, o camponês e sua família trabalhavam nas oficinas conseguindo, dessa forma, aumentar a renda doméstica. A partir do século XVI, desenvolveu-se também a produção nas cidades. Nos centros urbanos, o comerciante reunia certo número de artesãos num determinado local, fornecia a matéria-prima, as ferramentas e se apropriava da produção, pagando por tarefa ou salário.
O artigo era fabricado segundo o princípio da divisão do trabalho, isto é, cada artesão executava apenas uma parte do produto, de modo que a mercadoria só estava acabada após passar sucessivamente por várias mãos.
A divisão do trabalho trouxe um significativo aumento da produtividade.

A medida que a demanda de mercadorias foi crescendo, aumentou também o controle sobre o trabalhador, forçando a população ao trabalho regular e sistemático. As pessoas que se recusavam eram punidas com prisões, multas e castigos pelas leis em vigor.
O pagamento de salários, a disciplina e a técnica foram se impondo e se generalizando. Os burgueses tornaram-se empresários capitalistas bem sucedidos. Os investimentos realizados por eles resultaram em avanços técnicos que aumentaram a produção e os lucros a custos cada vez menores. Sua ação alterou profundamente o sistema de produção, caracterizando a fase de manufatura específica dos séculos XVI, XVII e XVIII que antecedeu o surgimento da indústria mecanizada.
O Mercantilismo e o sistema colonial
Uma das principais consequências do mercantilismo, além da acumulação de capitais, foi a montagem do sistema de exploração colonial.
A função da colônia era complementar a economia de sua metrópole, produzindo matérias primas, metais preciosos e gêneros agrícolas de alto valor no mercado.
O comércio com as colônias era exclusividade da burguesia metropolitana, que vendia produtos manufaturados e escravos a preços elevados e adquiria as mercadorias coloniais a preço reduzido.

Além disso, as colônias eram proibidas de comercializar diretamente com outras nações e não podiam se dedicar à indústria e à navegação. Esse comércio desigual, fonte constante de atrito com os colonos, foi denominado pacto colonial. Ao pacto colonial estavam submetidos, na América: o Brasil, colônia portuguesa produtora de açúcar e de ouro; as colônias espanholas, vasto território que ia do México a Argentina, fornecedoras do ouro e da prata e as treze colônias inglesas - os Estados Unidos -, menos valorizadas por não possuírem condições de fornecer metais ou gêneros tropicais à Inglaterra. A venda dos produtos da colônia brasileira permitia à monarquia absolutista portuguesa sustentar a nobreza, o clero, uma dispendiosa burocracia e soldados na defesa das feitorias espalhadas pelos oceanos Atlântico, Indico e Pacífico.
Entretanto, por não ser um centro produtor de manufaturas, os produtos orientais e brasileiros foram utilizados por Portugal para saldar suas dívidas com a Inglaterra de onde importava tecidos, vinhos, armas, mobílias e jóias, além de serviços comeciais e de transporte. Assim, Inglaterra e Portugal foram assinando uma série de acordos que provocaram uma progressiva dependência portuguesa em relação aos ingleses.
Um dos mais importantes desses acordos é o Tratado de Methuen (1703). Este acordo determinava que Portugal devesse comprar os tecidos da indústria inglesa enquanto a Inglaterra compraria os vinhos portugueses (esse acordo também é conhecido como Tratado dos panos e vinhos).

impossível fazer a guerra sem homens, -manter homens sem soldo, fornecer-lhes o soldo sem tributo, arrecadar tributos sem comércio" . Traité de I'ÊconomiePolitique. In: Pierre Deyon. O Mercantilismo, p.51.

Conclusão:
A Inglaterra recebia nosso ouro e o utilizava em seu desenvolvimento industrial enquanto Portugal permanecia como um país agrícola e atrasado.

Referências Bibliográficas

Petta, Nicolina Luiza de, Eduardo Aparício Baez Ojeda. história: uma abordagem integrada: volume único, 1.ed., São Paulo: Moderna, 1999.

Boulos Júnior, Alfredo. História: Sociedade & Cidadania, 1. ed., São Paulo:FTD, 2006.

quarta-feira, 15 de abril de 2009

Perfil


Sou graduada em História pelo Centro Universitário de Brasília – UniCeub, e especialista em História e Cultura da África e dos Afro-Brasileiros pela Universidade de Brasília – UnB.
Gosto de participar de eventos, seminários e cursos que abordem a África e os afrodescendentes espalhados pelo mundo, especialmente no Brasil. Afinal, foram eles os responsáveis pela construção do Brasil e influentes elementos na formação da nossa identidade nacional.

O objetivo deste blog é utilizar a internet como um instrumento facilitador da aprendizagem, além de buscar uma interação mais constante com meus alunos, pais, escola e professores.
Acredito que por meio dos recursos que a hipermídia atualmente oferece, será mais fácil estimular a criatividade por meio dos recursos infográficos e, principalmente, contar com uma estrutura de conteúdos e relacionamentos administráveis e claramente visíveis.

Tenho certeza de que ensinar e estudar história agora ficou mais fácil e mais divertido.

O Blog está aberto para sugestões e colaborações.

quarta-feira, 18 de março de 2009


O Analfabeto Político
Berthold Brecht


O pior analfabeto
É o analfabeto político.
Ele não ouve, não fala,
nem participa dos acontecimentos políticos.
Ele não sabe que o custo de vida,
o preço do feijão, do peixe, da farinha,
do aluguel, do sapato e do remédio
dependem das decisões políticas.
O analfabeto político
é tão burro que se orgulha
e estufa o peito dizendo
que odeia a política.
Não sabe o imbecil que,
da sua ignorância política
nasce à prostituta, o menor abandonado,
e o pior de todos os bandidos,
que é o político vigarista,
pilantra, corrupto e o lacaio
das empresas nacionais e multinacionais.

Atividades
Qual o pior analfabeto?
O que tal analfabeto não sabe?
O que nasce da ignorância política?

Fonte: http: //www.planetaeducacao.com.br

Os cegos e o elefante

Numa cidade da Índia viviam sete sábios cegos. Como seus conselhos eram excelentes, todas as pessoas os procuravam quando tinham algum problema. Embora fossem amigos, havia certa rivalidade entre eles, que, de vez em quando, discutiam sobre quem seria o mais sábio.
Certa noite, depois de muito debaterem sobre a verdade da vida e não chegarem a um acordo, o sétimo sábio ficou tão aborrecido que resolveu morar sozinho numa caverna da montanha. Disse aos companheiros:- Somos cegos para que possamos ouvir e compreender melhor do que os outros a verdade da vida. Mas, em vez de aconselhar os necessitados, vocês ficam aí brigando, como se quisessem ganhar uma competição. Não agüento mais! Vou-me embora.
No dia seguinte, chegou à cidade um comerciante montado num elefante imenso. Os cegos jamais haviam tocado nesse animal e foram ao encontro dele.
O primeiro sábio apalpou a barriga do animal e declarou: - Trata-se de um ser gigantesco e muito forte! Posso tocar os seus músculos e eles não se movem; e eles não se movem; parecem paredes.
- Que bobagem! - disse o segundo sábio, tocando a presa do elefante, este animal é pontudo como uma lança, uma arma de guerra.
- Ambos se enganam - retrucou o terceiro sábio, que apertava a tromba do elefante - Este animal é idêntico a uma serpente! Mas não morde, porque não tem dentes na boca; é uma cobra mansa e macia.
- Vocês estão totalmente alucinados! - gritou o quinto sábio, que mexia as orelhas do elefante - Este animal não se parece com nenhum outro. Seus movimentos são ondeantes, como se seu corpo fosse uma enorme cortina ambulante.
- Vejam só! Todos vocês, mas todos mesmo estão completamente errados! Irritou-se o sexto sábio, tocando a cauda do elefante. - Este animal é como uma rocha com uma cordinha presa no corpo. Posso até me pendurar nele.
E assim, ficaram horas debatendo, aos gritos, os seis sábios. Até que o sétimo sábio cego, o que agora habitava a montanha, apareceu conduzido por uma criança.
Ouvindo a discussão, pediu ao menino que desenhasse no chão a figura do elefante. Quando tateou os contornos do desenho, percebeu que todos os sábios estavam certos e enganados ao mesmo tempo. Agradeceu ao menino e lhe disse:
- Viu? Cada um deles disse a sua verdade, mas nenhuma delas é totalmente correta. Assim os homens se comportam diante da verdade. Pegam apenas uma parte, pensam que é o todo, e continuam tolos. Se soubessem ouvir e compreender o outro, e se observassem o mundo de diferentes ângulos, alcançariam o conhecimento e a sabedoria.

Conto do Budismo Chinês. folhazen.multiply.com/journal/item/151/151.
Acessado em 08/02/2009


segunda-feira, 16 de março de 2009

Como estudar História


Domingo, 15 de Março de 2009

Espero que vocês gostem de história como eu. Por isso, para que vocês possam desenvolver uma técnica de estudo em que realmente ocorra uma boa aprendizagem e não simplesmente uma “decoreba” aqui fica a minha sugestão. É assim que eu faço quando encontro um texto complexo. Funciona comigo e espero que funcione para você também.
Fica aí a minha sugestão.


Professora Tânia Oliveira

Como Estudar História

1. Leitura do texto;
2. Nova leitura, desta vez sublinhando as palavras desconhecidas do texto;
3. Trabalhando as palavras com a utilização do dicionário:
3.1 Elaboração e organização por ordem alfabética de um glossário;
3.2 Buscando no dicionário o significado das palavras desconhecidas;
4. Nova leitura do texto usando as palavras pesquisadas no dicionário;
5. Sublinhando as ideias centrais contidas nos parágrafos;
6. Elaboração de resumo;
7. Desenvolvendo atividades: exercícios de fixação do livro didático;

As Qualidades de um Texto

Concisão: significa que devemos ser precisos, práticos e objetivos, ou seja, não abusar das palavras para exprimir uma ideia. Significa eliminar tudo aquilo que é desnecessário.
Correção: em caso de dúvidas não hesite em consultar a gramática e um dicionário.
Elegância: Consiste em tornar agradável a leitura do texto. Lembre-se que nenhum texto bonito cai do céu. Isso é possível quando se observam as qualidades apontadas acima. A elegância deve começar pela apresentação do texto, isto é, deve estar limpo, sem borrões ou rasuras e com letra legível. É muito comum alguém afirmar que não tem letra bonita porque a letra dele é assim mesmo e... pronto! Não é verdade. Ninguém nasce sabendo escrever ou ler. A gente adquire conhecimento durante toda a nossa vida e, na maioria dos casos, essa desculpa é uma forma de justificar nossa negligência.
Texto adaptado de Ernani Terra e José de Nicola. Redação básica – Brinde do livro Minigramática – Scipione, São Paulo, 1997.

Produção de pesquisa

1. Introdução: É a síntese da pesquisa ou tema que será abordado no desenvolvimento.
2. Índice: Lista indicando as páginas em que os itens, títulos ou tópicos são mencionados na pesquisa.
3. Desenvolvimento: Nesta fase o aluno (a) descreverá sobre o assunto especificado na introdução exprimindo as ideias mais importantes.
4. Conclusão: Concluindo o trabalho o aluno (a) deverá enfatizar a importância do que foi assimilado e abrir espaço para sugestões ou opiniões.
5. Anexos: Quando houver ilustrações imagens, monumentos, paisagens, gráficos, tabelas, mapas, etc.
6. Bibliografia: São os livros pesquisados ou, se for o caso, o site utilizado Internet.
• Boulos, Alfredo Júnior. História: Sociedade & Cidadania. 1ª Ed., São Paulo: FTD, 2006, Pág. 19-24.
• www.veja.com.br Acesso em 17.03.2009.

Construção e Avaliação do portfólio

O portfólio é um álbum (pasta) que deve conter todas as atividades desenvolvidas em sala de aula no bimestre. Os alunos serão orientados na construção deste álbum durante todo o ano letivo. Abaixo alguns itens importantes que devem ser observados:
I. O portfólio deve ser organizado em uma pasta com vários plásticos;
II. Os textos devem estar organizados de acordo com a sequência cronológica em que são trabalhados no bimestre;
III. A entrega deverá ocorrer no prazo estipulado pela professora, sempre durante o período de aula do aluno (a). Em caso de falta no dia da entrega, somente serão recebidos os trabalhos dos alunos que apresentarem atestado médico de acordo com o regimento interno do Centro Educacional 03. Nenhum professor, equipe da direção ou funcionário da escola poderá receber o portfólio do aluno que faltar a aula no dia da entrega do mesmo.

Critérios de Avaliação

1. Estética, Organização, Ilustração;
2. Conteúdo completo: Os textos devem estar organizados de forma cronológica de acordo com os fatos ou com a sequência das aulas.
3. Enriquecimento do álbum com atividades anexas (imagens, reportagens, entrevistas, curiosidades, depoimentos, estatísticas, etc.);
4. Assiduidade: Durante as aulas o aluno (a) poderá esclarecer dúvidas assim como refazer, quando necessário, as atividades do bimestre anterior.

O painel acima da página, pesquisado e produzido pelo designer Sérgio Albiero, é uma homenagem ao povo afro-brasileiro. Encontra-se, atualmente, exposto na sala de História do Centro Educacional 03 do Guará.