Minhas Imagens

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Sol dos Orixás

sábado, 12 de outubro de 2013

JANUÁRIA TERRA AMADA - CARROMBA.wmv

sábado, 7 de setembro de 2013

A Pátria - Olavo Bilac



Ama, com fé e orgulho, a terra em que nasceste!
Criança! Não verás nenhum país como este!
Olha que céu! Que mar! Que rios! Que floresta!
A Natureza, aqui, perpetuamente em festa,

É um seio de mãe a transbordar carinhos.
Vê que vida há no chão! Vê que vida há nos ninhos,
Que se balançam no ar, entre os ramos inquietos!
Vê que luz, que calor, que multidão de insetos!

Vê que grande extensão de matas, onde impera,
fecunda e luminosa, a eterna primavera!
Boa terra! Jamais negou a quem trabalha
O pão que mata a fome, o teto que agasalha...

Quem com seu suor a fecunda e umedece,
vê pago o seu esforço, e é feliz, e enriquece!
Criança! Não verás país nenhum como este:
Imita na grandeza a terra em que nasceste.

Olavo Bilac


http://pausapraleitura.blogspot.com.br/2012/10/a-patria-por-olavo-bilac.html

Pátria, por Rolando Boldrin / Saga da Amazônia, por Vital Farias

Os homens que fizeram a independência

Emília Viotti da Costa.
Coroação de D. Pedro I"  (1828) é uma das famosas aquarelas do pintor francês Jean-Baptiste Debret, que compõem o livro Viagem Pitoresca e Histórica ao Brasil, considerado por alguns autores a mais rica revelação feita sobre o comportamento e o modo de ser das diversas classes sociais brasileiras da época.
A biografia dos homens que dirigiram o movimento pela independência do Brasil confirma que representavam as categorias mais importantes da sociedade. Nem todos eram brasileiros de nascimento. Alguns tinham ligações com a Corte de D. João VI. Sua formação se fizera em Portugal. Eram em sua maioria homens de mais de cinqüenta anos. Estavam empenhados em manter a ordem, evitar a anarquia e combater os “excessos do povo”.
Para estes homens, representantes das categorias dominantes, o principal objetivo era organizar o Estado sem colocar em risco o domínio econômico e social. Estavam interessados em manter a estrutura da produção baseada no trabalho escravo, destinada à exportação de produtos tropicais para o mercado europeu.
A independência realizada pelas categorias dominantes tinha como único objetivo preservar a ordem e romper o sistema colonial somente no que ele significava de restrição à liberdade de comércio e à autonomia administrativa.
A aparência liberal construída pela elite ocultava a miséria e a escravidão da maioria dos habitantes do país. Conquistar a verdadeira independência seria tarefa das  futuras gerações.


Fonte:
Costa, Emília Viotti da. Introdução ao estudo da emancipação política. In Carlos Guilherme Mota). (Org.). Brasil em perspectiva. Difel, Rio de Janeiro – São Paulo, 1978. p. 121-5, (texto adaptado).

 

Patriarca da Independência - De onde vem o mito?

“Patriarca da Independência” foi um título disputado por muitos adversários políticos no século XIX. Por que a figura de José Bonifácio prevaleceu e sua lenda persiste até hoje?

Emília Viotti da Costa
Heróis estão sempre presentes na história das nações. Nos Estados Unidos, são chamados de Founding Fathers (pais fundadores). George Washington, Thomas Jefferson e Benjamin Franklin moldaram a República norte-americana. Simón Bolívar e José de San Martín são ídolos da independência das antigas colônias espanholas. Uns e outros se transformaram em figuras exemplares, cujas vidas continuaram, através do tempo, a ser invocadas em solenidades públicas, louvadas em biografias, citadas em discursos ou registradas nos livros de História como forjadores da nacionalidade. Para se entender a criação do mito, é preciso separá-lo da história. Nascido em uma família abastada, José Bonifácio foi um jovem que, como muitos outros, deixou o Brasil para estudar em Coimbra, mas, diferentemente destes, permaneceu em Portugal por mais de trinta anos, ocupando posições importantes a serviço da Coroa. Aos 56 anos de idade regressou ao Brasil, e pouco tempo depois se tornou conselheiro do príncipe e veio a desempenhar papel relevante no processo que resultou na Independência do país. Ao ser nomeado ministro do Reino e dos Estrangeiros, em 1822, passou a ser hostilizado por liberais e conservadores, e acabou preso e exilado pelo imperador. No entanto, alguns anos depois, José Bonifácio regressou à pátria para assumir o cargo de tutor do futuro Pedro II.

                    No Brasil, esse foi o destino de José Bonifácio de Andrada e Silva.
A identificação do Andrada como “Patriarca da Independência” surgiu logo após a emancipação política do Brasil, em 1822. Na ocasião, esse título era ferozmente disputado pelos seus adversários.
Homens como Gonçalves Ledo e Evaristo da Veiga também reclamavam para si o papel de construtores da nação. Este embate político forneceu argumentos para a construção de duas versões: a andradina, que concentrou seus louvores na figura de Bonifácio, e a antiandradina, que confere a seus inimigos a liderança do processo.
 Mais uma vez seria contestado por seus inimigos políticos, que o destituíram do cargo e o processaram. Ao ser absolvido, em 1835, recebeu uma estrondosa manifestação popular a seu favor. Velho e alquebrado, retirou-se da vida pública e passou a dedicar-se aos seus estudos, vindo a falecer em 1838. Apesar de uma carreira repleta de reveses e percalços, como explicar a consagração de Patriarca da Independência?
Primeiramente, o próprio Bonifácio construiu uma imagem idealizada de sua participação nos eventos que culminaram na Independência. Seus escritos, anotações e poemas revelam um homem com pouco apreço pela “elite” brasileira, que, com raras exceções, lhe parece ignorante, ávida por riquezas e títulos de nobreza. Nem mesmo o imperador escapa de sua língua ferina. Nos jornais da época e nos Anais do Parlamento, José Bonifácio é apresentado como um homem sábio e justo, que batalhara ardorosamente pela Independência e pela implantação da monarquia constitucional no país, servindo fielmente ao imperador e à nação.
A versão antiandradina aparece em jornais da oposição que se definem como liberais e caracterizam José Bonifácio como conservador e inimigo do povo. Acusam-no de perseguir impiedosamente os adversários políticos, mandando-os prender de forma arbitrária, de ser contra a Constituição e a liberdade de pensamento, e finalmente, depois da abdicação de D. Pedro I, chegam a acusar Bonifácio de traidor da pátria e de tramar a volta do imperador. Diante dessas duas versões tão contraditórias, o que fazer?
Felizmente, outros documentos permitem avaliar melhor o desempenho de José Bonifácio: suas propostas de medidas governamentais, estudos técnicos sobre economia, política e sociedade e sua participação nos debates políticos. São escritos que revelam o homem público, uma imagem complexa de um intelectual típico da Ilustração. Homem culto e viajado, um cientista que percorreu a Europa numa época tumultuada pela Revolução Francesa, o que deixou nele profundo receio dos levantes populares e das revoluções. José Bonifácio confessava ser amante da liberdade controlada, da monarquia constitucional, inimigo dos despotismos, contrário à escravidão do negro, favorável à concessão dos votos às mulheres e crítico do latifúndio improdutivo. Desprezava homens servis e bajuladores e aqueles que disputavam títulos de nobreza.
No Brasil, José Bonifácio seria um homem fora do lugar. Um colonial que viveu na Metrópole a maior parte de sua vida, convivendo com as ideias da Ilustração, e que voltou a viver numa sociedade elitista e patriarcal, cuja economia se baseava no latifúndio e no braço escravo. Conservador em política e liberal nas questões sociais e econômicas, ele estava fadado a desagradar a uns e outros. Apoiou-se no Apostolado, uma organização que, no dizer de frei Caneca (1779-1825), não passava “de um Clube de aristocratas servis”, os grandes proprietários de terra, cujos interesses José Bonifácio feria ao pleitear o confisco das propriedades improdutivas e a emancipação gradual dos escravos. Identificava-se com os comerciantes portugueses quando estes denunciavam os privilégios concedidos aos estrangeiros, mas, ao mesmo tempo, contrariava os interesses daqueles ao pleitear o confisco de suas propriedades. Atacado pelos liberais por assumir a perspectiva conservadora, e pelos conservadores por seus projetos de transformação da ordem social, tornou-se presa fácil de seus inimigos. Com a abdicação de Pedro I, os liberais que assumiram o poder não tiveram complacência com seu velho inimigo e o colocaram no ostracismo.
Ironicamente, as contradições que o condenaram em vida foram as mesmas que garantiram a sobrevivência do mito. O nome de José Bonifácio seria invocado pelos abolicionistas, que nele viam um precursor. Seu projeto de emancipação dos escravos teve numerosas edições. A figura do Patriarca, politicamente conservadora, procurando conciliar a liberdade com a ordem, pouco amigo dos “excessos democráticos e da liberdade sem limites”, agradaria aos políticos e ideólogos que durante o Império e Primeira República (1889-1930) pregavam um Executivo forte.
Esse antagonismo marcou a documentação da época e se fixou em livros de História publicados durante o Império. Com o passar do tempo, porém, a versão andradina se tornaria hegemônica, à medida que as lutas políticas dos primeiros anos arrefeceram e os contendores, amigos e inimigos de Bonifácio, desapareceram da cena política, deixando apenas suas memórias. Somente no século XX, passados mais de cem anos da proclamação da Independência do Brasil, o equilíbrio entre as duas versões foi restabelecido, quando o historiador Otávio Tarquínio de Souza (1889-1959) escreveu a História dos Fundadores do Império do Brasil, obra que teve um de seus volumes dedicados à biografia de José Bonifácio.
Com as mudanças ocorridas na historiografia e na sociedade nos anos 1950 e 1960, surgiu a possibilidade de utilização de novos métodos explicativos que permitiriam aos historiadores fazer uma análise mais objetiva do contexto político que deu origem às versões andradina e antiandradina. Ao mesmo tempo, houve uma mudança de foco na historiografia. Em consonância com a tentativa de democratização da sociedade, os historiadores começaram a se interessar pelas classes subalternas. Foram introduzidos novos agentes históricos que até então haviam sido ignorados – mulheres, artesãos, negros livres, escravos, pequenos comerciantes, que constituíam as populações urbanas que se incorporaram ao movimento da Independência com um projeto de nação muito diferente daquele apoiado pelas elites. Entretanto, à margem da historiografia, a lenda andradina persiste no que tem de mais irredutível – o mito da nacionalidade.
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Emília Viotti da Costa é professora emérita da USP e professora da Universidade de Yale, nos Estados Unidos. É autora do livro Da Monarquia à República – momentos decisivos. São Paulo: Ed. Unesp, 2007.

sexta-feira, 6 de setembro de 2013

O Hino da Independência do Brasil


Pintura em que D. Pedro I  executa a peça musical dedicada ao Hino da Independência.
 Se a arte imita a vida, podemos notar que a história do Hino da Independência foi tão marcada de improviso como a ocasião em que o príncipe regente oficializou o fim dos vínculos que ligavam Brasil a Portugal. No começo do século XIX, o artista, político e livreiro Evaristo da Veiga escreveu os versos de um poema que intitulou como “Hino Constitucional Brasiliense”. Em pouco tempo, os versos ganharam destaque na corte e foram musicados pelo maestro Marcos Antônio da Fonseca Portugal (1760-1830).

Aluno do maestro, Dom Pedro I já manifestava um grande entusiasmo pelo ramo da música e, após a proclamação da independência, decidiu compor uma nova melodia para a letra musicada por Marcos Antônio. Por meio dessa modificação, tínhamos a oficialização do Hino da Independência. O feito do governante acabou ganhando tanto destaque que, durante alguns anos, Dom Pedro I foi dado como autor exclusivo da letra e da música do hino.

Abdicando do governo imperial em 1831, observamos que o “Hino da Independência” acabou perdendo prestígio na condição de símbolo nacional. Afinal de contas, vale lembrar que o governo de Dom Pedro I havia sido marcado por diversos problemas que diminuíram o seu prestígio como imperador. De fato, o “Hino da Independência” ficou mais de um século parado no tempo, não sendo executado em solenidades oficiais ou qualquer outro tipo de acontecimento oficial.

No ano de 1922, data que marcava a comemoração do centenário da independência, o hino foi novamente executado com a melodia criada pelo maestro Marcos Antônio. Somente na década de 1930, graças à ação do ministro Gustavo Capanema, que o Hino da Independência foi finalmente regulamentado em sua forma e autoria. Contando com a ajuda do maestro Heitor Villa-Lobos, a melodia composta por D. Pedro I foi dada como a única a ser utilizada na execução do referido hino.

Hino da independência
Já podeis da Pátria filhos,
Ver contente a mãe gentil;
Já raiou a liberdade
No horizonte do Brasil.

Brava gente brasileira!
Longe vá, temor servil:
Ou ficar a pátria livre
Ou morrer pelo Brasil.

Os grilhões que nos forjava
Da perfídia astuto ardil...
Houve mão mais poderosa:
Zombou deles o Brasil.

Brava gente brasileira!
Longe vá, temor servil:
Ou ficar a pátria livre
Ou morrer pelo Brasil.

Não temais ímpias falanges,
Que apresentam face hostil;
Vossos peitos, vossos braços
São muralhas do Brasil.

Brava gente brasileira!
Longe vá, temor servil:
Ou ficar a pátria livre
Ou morrer pelo Brasil.

Parabéns, ó brasileiro,
Já, com garbo varonil,
Do universo entre as nações
Resplandece a do Brasil.

Brava gente brasileira!

Longe vá, temor servil:
Ou ficar a pátria livre
Ou morrer pelo Brasil.
Fonte:


Hino da Independência do Brasil

segunda-feira, 2 de setembro de 2013

07 de setembro. É nossa obrigação.


sábado, 17 de agosto de 2013

Os direitos que a maioria do povo não viu

Sobre a Constituição de 1824 - 196 anos

A Constituição de 1824 procurou garantir a liberdade individual, a liberdade econômica e assegurar, plenamente, o direito à propriedade.
Para os homens que fizeram a independência, gente educada à moda europeia e representantes das categorias dominantes, os direitos a propriedade, liberdade e segurança garantidos pela Constituição eram coisas bem reais. Não importava a essa elite se a maioria da nação era composta de uma massa humana para a qual os direitos constitucionais não tinham a menor  validade.
A Constituição afirmava a liberdade e a igualdade de todos perante a lei, mas a maioria da população permanecia escrava. Garantia-se o direito de propriedade, mas 95% da população (Segundo algumas estimativas) quando não eram escravos, compunham-se de “moradores” de fazendas, em terras alheias, que podiam ser mandados embora a qualquer hora. Garantia-se a segurança individual, mas podia-se matar um homem sem punições. Aboliam-se as torturas, mas nas senzalas os instrumentos de castigo como o tronco, o açoite, a gargalheira continuavam sendo usados, e o senhor era o supremo juiz da vida e da morte de seus homens.
A elite de intelectuais do império, porta-voz das categorias dominantes, criou todo um conjunto de ideias liberais que mascarava as contradições sociais do país e ignorava a distância entre a lei e a realidade.


Fonte:

Costa, Emília Viotti da. Da monarquia à república: momentos decisivos/Emília Viotti da. Costa. – 6.ed. – São Paulo: Fundação Editora da UNESP, 1999. –.

O Império em Brasília - 190 anos da Assembleia Constituinte de 1823



Hoje nós vamos fugir um pouquinho do nosso tema de estudo. O motivo é uma espetacular exposição que vai ocorrer em Brasília, de 8 de agosto a 20 de outubro, no Salão Negro do Senado Federal, sobre o Império do Brasil.

A exposição comemora os 190 anos da Assembleia Constituinte de 1823. Vamos estuda-la na sequência do nosso estudo, mas sempre é bom relembrar um fato tão marcante na história do país.

“A Constituição do Império do Brasil de 1824 teve a sua elaboração encomendada pelo Imperador Dom Pedro I. Primeira constituição brasileira foi marcada pela influência das constituições europeias. A Assembleia Nacional Constituinte, reunida para sua criação, era composta por um total de 90 membros eleitos na qual se destacavam os proprietários rurais, bacharéis em leis, além de militares, médicos e funcionários públicos. O anteprojeto constitucional foi elaborado por uma comissão composta por seis deputados sob a liderança de Antônio Carlos de Andrada e Silva, irmão de José Bonifácio de Andrada e Silva. O anteprojeto foi marcado pela manutenção do sistema escravista e pela divisão dos três poderes: executivo, legislativo e judiciário. A primeira carta constitucional do Brasil foi outorgada, já que D. Pedro I, não aceitando ter poderes limitados dissolveu a Assembleia Constituinte.”








quinta-feira, 15 de agosto de 2013

Clube da Luta - Trailer Legendado

Saiba Mais:


Batalha de egos
Filme 'Clube da luta' é uma batalha ‘Homem x Homem’, na qual a pós-modernidade entra no ringue como juiz
Janine Justen
"Ser ou não ser” não aparece mais como questão central da existência quando o pano de fundo é a pós-modernidade. Agora, o homem pode ser muitos e, em simultâneo, não ser nada. E mais: a escolha passa longe do que entendemos por definitivo. É mutante, mutável. Paraíso? Para alguns. Mas é para tratar do outro lado da moeda, da crise de identidade profunda do sujeito contemporâneo, que o cineasta norte-americano David Fincher traz ao grande público o Clube da Luta(1999), uma adaptação do livro homônimo de Chuck Palahniuk.
O narrador (Edward Norton) representa um homem comum da classe média ocidental. Perdido, solitário, apático, descontente com o emprego e sem grandes planos ou perspectiva de vida. O perfeito retrato da falência pós-moderna, da sucumbência de um corpo pelo próprio corpo. A insônia o leva a procurar um médico e assim começa sua saga em grupos de autoajuda, já que o doutor lhe nega medicamentos, orientando-o a vivenciar o sofrimento de outrem, como alcoólicos e narcóticos anônimos e vítimas de câncer. 

Cansado de tamanha monotonia e morbidez, o personagem decide montar o “Clube da Luta” junto a Tyler Durden (Brad Pitt), a partir de uma briga de bar. O grupo recebe adeptos e cresce mais do que o previsto. A batalha entre ego e alter ego (ou consciência e subconsciência) extrapola os limites das quatro paredes de depósitos e galpões, alcançando as ruas, bancos e símbolos do poderio do consumo, como lojas de departamento e artefatos publicitários. Sem objetivos claros, o inimigo invisível’ toma ares de sistema e contornos de capitalismo.
Um duelo de egos
O longa se pauta em um aparente surto depressivo coletivo, próprio de um período cujas referências se esgotam nelas mesmas. Deus está morto, a história acabou e a Verdade não passa de um estigma, um tanto quanto incômodo, ao relativismo vigente. Os conceitos de “cultura de massa” e “ditadura midiática” ganham corpo, transcendendo toda e qualquer teoria que, por um lapso de ingenuidade, tenha ousado descrever (e prever) o estilo de vida moderno.
Pegando carona na “transvaloração de valores” de Niezstche, o pensador alemão mais catastrófico da Filosofia tradicional, a pós-modernidade ultrapassou o radicalismo da Escola de Frankfurt e os postulados de Debord, com a “sociedade do espetáculo”, para transitar entre o dito, o não dito e o maldito – já que as benesses são colocadas à margem desse sistema para lá de niilista. 

Eu vi no ‘Clube da luta’ o homem mais forte e inteligente que já viveu. Eu vi todo este potencial. E eu vi isto ser desperdiçado. Cacete, uma geração inteira que só enche o tanque de gasolina. Que só espera sua vez para se sentar à mesa. De almofadinhas escravizados. A propaganda nos fez caçar carros e roupas. Trabalhar em empregos que nós odiamos para que possamos comprar as merdas que não precisamos. Somos a criança do meio da História. Sem sentido ou lugar. Não tivemos a Guerra Mundial. Nenhuma grande crise. Nossa grande guerra é uma guerra espiritual. Nossa grande crise é nossas vidas. Temos sido criados pela televisão para acreditar que um dia nós seríamos milionários e deuses dos filmes e astros do rock. Mas nós não seremos nada disso. Nós estamos aprendendo vagarosamente este fato. E nós estamos muito, mas muito putos com isso. (Tradução livre)
Explicitamente, o personagem Tyler fala sobre as promessas de liberdade e igualdade da Revolução Francesa que não se cumpriram nem à época, quiçá nos dias atuais. Os homens tornaram-se submissos ao trabalho, ao consumo e às relações de status para se afirmar como “bem-sucedidos”. Mas o que sobressai, na maioria dos casos, é apenas uma devastadora sensação de fracasso. O “Clube da Luta” surge, portanto, como válvula de escape mais do que necessária, essencial.
Acusado de espetacularizar e banalizar a violência, Fincher alegou ter adotado metáforas para representar conflitos que assolam toda uma geração de jovens, como uma espécie de alerta e alternativa catártica. Para ele, o desconforto da audiência era a prova de que o objetivo fora alcançado. À época do lançamento, o filme não atingiu as expectativas de bilheterias e foi execrado por boa parte dos críticos. Com o posto de um dos filmes mais controversos dos anos 90, “O Clube da Luta” permanece estranhamente atual, esfolando feridas abertas de uma sociedade doente, já corroída pelo tempo.


Batalha de egos -- Filme 'Clube da luta' é uma batalha ‘Homem x Homem’, na qual a pós-modernidade entra no ringue como juiz http://www.revistadehistoria.com.br/secao/cine-historia/a-certeza-do-nao-ser‪#‎CineHistória‬


Vídeo mostra as infindáveis mudanças de fronteiras ocorridas na Europa — desde o ano 1.000 até agora.

Saiba Mais:


Ordenações Afonsinas 

São chamadas de Ordenações Afonsinas uma coleção de leis destinada a regular a vida doméstica dos súditos do Reino de Portugal a partir de 1446, durante o reinado de D. Afonso V.



As ordenações (coleção de ordens, de leis) receberam o nome do monarca reinante por pura convenção, pois este ainda era menor de idade e pouca participação tivera em sua composição. Na verdade, as disposições contidas neste códice começaram a ser elaboradas ainda no reinado de D. João I (1385 – 1423). A obra seguiria sem conclusão por todo o reinado do monarca seguinte, D. Duarte (1423 – 1438), ainda que uma compilação provisória e cronológica das mesmas leis, denominada “Ordenações de D. Duarte” fosse utilizada durante o governo do citado rei, como documento preparatório para o texto definitivo, sendo utilizado juntamente com outro texto preparatório para as ordenações, o Livro das Leis e Posturas.

Com a morte de D. Duarte, o regente D. Pedro determinou uma revisão do projeto, introduzindo algumas alterações no texto. Acredita-se que tais revisões acabaram em 1448, ainda durante a regência de D. Pedro, embora seja certo que as Ordenações Afonsinas possuem leis elaboradas tão tardiamente quanto 1454. Análises contemporâneas feitas nos textos atestam que os compiladores aproveitaram muitas leis existentes, sendo fontes recorrentes o Direito Canônico e o Romano, diretamente, ou através de comentadores.

As Ordenações Afonsinas estão organizadas em cinco livros, seguindo a organização dos Decretais de Gregório IX (de 1234 – coletânea de normas pontifícias). Todos os livros estão precedidos de preâmbulo, sendo o primeiro mais extenso que os restantes por conter a história da elaboração do mesmo código. Já o livro II é dedicado aos bens e privilégios da Igreja, dos direitos régios e sua cobrança, da jurisdição dos donatários, das prerrogativas da nobreza e legislação especial para judeus e mouros. O livro III aborda os Atos Judiciais, os procedimentos para a postulação dos mesmos. No livro IV estão os assuntos relacionados ao direito civil da época. O livro V trata dos crimes, penas e respectivas punições.

Apesar do extenso período tomado para sua composição, as Ordenações Afonsinas possuem lacunas que o impedem de ser considerado um sistema completo, em especial a parte de direito privado que omite alguns institutos e lembra excepcionalmente de outros. Ainda, a estrutura das Ordenações Afonsinas difere bastante dos modernos códigos, não ficando em desvantagem se comparado a códigos análogos nos outros países europeus. Mesmo com seus defeitos, representam momento importante na evolução do direito português, simbolizando o final da evolução legislativa que ocorria desde o reinado de Afonso III e serve ainda de base para as ordenações seguintes, as Ordenações Manuelinas e Filipinas, que se limitaram a atualizar este códice. Logo, porém, no reinado de D. Manuel I (1469 – 1521), as Ordenações Manuelinas irão substituir as Afonsinas, que não chegaram a ser impressas.

Bibliografia:


SALGUEIRO, Augusto. Ordenações Afonsinas. Disponível em: 
http://arrudadosvinhos.wordpress.com/category/ordenacoes-afonsinas/.

VILAR, Manoel Dória. Ordenações Afonsinas. Disponível em: http://blogverbalegis.blogspot.com/2010/11/ordenacoes-afonsinas.html .

quarta-feira, 14 de agosto de 2013

A Consolidação do reino português


Os reis da dinastia[1] de Borgonha governaram Portugal (1139 – 1283) por mais de duzentos anos. Durante quase todo esse período, o reino português permaneceu envolvido na luta da Reconquista Cristã. A completa expulsão dos muçulmanos e formação do território nacional como conhecemos hoje só ocorreram em 1249, com a conquista da região de Algarves, ao sul.

Nesse período foi fundada a Universidade de Coimbra e instituída as Cortes, - assembleias às quais compareciam representantes do clero, da nobreza e do povo (na verdade, da burguesia). A partir de 1279, no reinado de D. Dinis (1279 – 1325), teve início um período de reorganização interna tanto política quanto econômica.

D. Dinis, um visionário político, percebeu que o desenvolvimento de Portugal estava no mar. E, nesse sentido, investiu na marinha - tanto mercantil como de defesa - equipando sua frota, construindo navios e contratando marinheiros mais experientes, como os italianos. O comércio foi intensificado por meio de novos contatos com os comerciantes do norte da Europa e da Itália.

Assim, sem esquecer-se da importância da consolidação dos territórios ocupados e da recuperação da economia, preparou os caminhos que levariam a expansão marítima portuguesa que iria ocorrer na dinastia de Avis.


Os reinos cristãos e a reconquista Cristã



[1] Dinastia: série de soberanos (também chamados de reis ou imperadores) que pertencem a uma mesma família.

A dinastia de Borgonha chegou ao fim quando D. Fernando, ao morrer, não deixou um sucessor do sexo masculino. A rainha, Dª Leonor Teles, assumiu o reino disposta a passar a coroa a sua filha Dª Beatriz, casada com D. João I, rei de Castela. Porém, a burguesia portuguesa - os comerciantes e banqueiros – interessados no desenvolvimento do comércio marítimo e temendo uma fusão dos reinos de Portugal e Castela discordavam dos planos da rainha.

Para lutar contra os castelhanos a rica burguesia uniu-se a D. João, irmão bastardo[1] do rei falecido. D. João era mestre da Ordem de Cavalaria de Avis. Por isso, esse período, marcado por intrigas, lutas e conflitos contra os planos de D. João I, rei de Castela, ficaram conhecidas como revolução de Avis. Essas lutas foram travadas externamente contra os castelhanos e internamente contra a nobreza agrária que não apoiavam o progresso comercial burguês. A batalha de Aljubarrota (1385) é o marco final da vitória dos portugueses.

Antônio Sérgio, historiador português, afirma que a luta de Aljubarrota foi mais do que uma luta entre duas nações. Foi uma luta de classes. A vitória da burguesia próspera e visionária dos descobrimentos marítimos e de uma nova ordem social contra o conservadorismo da nobreza agrária.




A dinastia de Avis

Iniciava-se o governo da dinastia de Avis (1385 – 1580). A burguesia, instalada no poder, consolidava sua aliança com o rei, antes de qualquer outro Estado moderno europeu. O princípio da autoridade real prevalecia e o trabalho de codificação das novas leis completou-se no reinado de Afonso V, em 1446, com as Ordenações Afonsinas.

Nesse período, as cidades do norte da Itália (Genova e Veneza) eram potências mercantis no Mediterrâneo Oriental, obtendo enormes lucros no comércio com os árabes muçulmanos e exerciam um verdadeiro monopólio comercial na bacia mediterrânea.

A burguesia portuguesa e seu governo pretendiam romper esse monopólio comercial. A rota Mar do Norte – Mediterrâneo transformara-se o principal caminho comercial favorecendo principalmente Portugal. Além disso, os monarcas portugueses tinham o apoio da Igreja, interessada em prosseguir a luta contra os muçulmanos.

Todos esses acontecimentos fizeram de Portugal o primeiro país europeu a constituir um Estado Absolutista e Mercantilista. Absolutista porque o poder do rei era absoluto. O rei tinha autoridade total sobre a nação, independente de limitações constitucionais (limites impostos por uma constituição).

Mercantilista porque decidiu dar mais importância para as atividades comerciais. Procurava fazer com que o valor de suas exportações[1] fosse maior que o valor das importações[2].


[1] Bastardo: filho nascido fora do casamento oficial, sendo considerado ilegítimo e, pelas regras da monarquia portuguesa, sem direito à sucessão.


Genealogia de D. João, Mestre de Avis.





[1] Exportação: venda de produtos nacionais para o estrangeiro.
[2] Importações: Compra de produtos estrangeiros.



Fontes Bibliográficas:

Cotrim, Gilberto. História do Brasil e Nova Consciência: dos primeiros povos ao século XVIII: Ensino Médio. 5ª ed., São Paulo: Saraiva 2001.


Schneeberger, Carlos Alberto. Mini manual Compacto de História do Brasil. Ed São Paulo: Rideel, 2003.

segunda-feira, 12 de agosto de 2013

O Primeiro Rei

http://www.youtube.com/watch?v=LgSgL9ObAs0&feature=player_embedded#!



domingo, 11 de agosto de 2013

A Formação do Reino de Portugal

Favorecida pela sua localização geográfica, a península ibérica foi palco de sucessivas invasões e ocupações de vários povos. Seus historiadores relatam a ocupação pelos iberos, os primeiros a ocuparem a península a partir do terceiro milênio A.C, e dos celtas - vieram da Gália, hoje França - por volta do século VI A.C, o que deu origem à cultura celtibera. Ainda nesse período, comerciantes fenícios e gregos organizaram e fundaram feitorias no seu litoral interessados no comércio de minérios – abundantes em toda a península – em troca de produtos (escambo).


   A Lusitânia ocupava a parte central da península. Seu território foi alargado para o sul com a ocupação romana.

Nos séculos II e III A.C, no período das guerras entre Cartago e Roma, 

península foi invadida e dominada pelos romanos após duras lutas contra os lusitanos, povo celtíbero 
 

A romanização da península

Anexada ao império romano como província hispânica os povos da península rapidamente se adequaram a administração, língua, costumes, religião, legislação e urbanização romana. O processo de assimilação foi tão intenso e profundo que essa região é até hoje marcada pela presença latina, da qual somos herdeiros.

O enfraquecimento do Império Romano, a partir do século III, abre as portas da península, no século V, para novas invasões: Vândalos, Suevos, Alanos e Visigodos, conhecidos pelo nome de bárbaros. Concomitantemente consolidava-se, também, a cristianização desses povos, por meio do trabalho de catequese efetuado pelos missionários.

        Reinos europeus nos séculos V e VI. Os bárbaros eram povos da Ásia central, Rússia central, Europa oriental.

Os quadrinhos de Asterix, o gaulês, na imagem abaixo, com seu inseparável companheiro Obelisco, discutem a conflituosa relação dos bárbaros com os romanos.


(História - 29 de outubro de 1959, em Paris, a primeira aparição de Asterix, no jornal Pilote).

A invasão Muçulmana


Contudo, é no ano de 711 que ocorre a mais forte e duradoura invasão a península ibérica: a invasão dos árabes muçulmanos.
Atravessando o Estreito de Gibraltar, os árabes, liderados pelo general Tárik, derrota os visigodos e domina a península em quase toda sua totalidade.
 No início do domínio árabe, os povos cristãos ficaram restritos ao norte da península, no Reino das Astúrias, mas a partir do século XI, pouco a pouco conseguiram ampliar seu território. Foram fundados, então, vários reinos, entre os quais Aragão, Navarra, Leão e Castela. 


Unidos e protegidos, por uma imponente cadeia montanhosa, os cristãos deram início ao processo de resistência. Surgiram significativas vitórias e os muçulmanos começaram a recuar em direção ao litoral sul.

A luta contra os mouros muçulmanos durou cerca de sete séculos e ficou conhecida como Reconquista Cristã.Foi um conflito sangrento fundamentado nos postulados cristãos defendidos pelas Cruzadas (veja Box).

Auxiliados por muitos nobres franceses, engajados por questões de fé e interessados em receber terras em troca da ajuda - eram geralmente secundogênitos (indivíduo que foi gerado em segundo lugar) de famílias feudais - vinham, principalmente, da região de Borgonha, localizada no leste da França

Durante as guerras destacou-se o nobre Henrique de Borgonha que recebeu, como recompensa do rei de Leão e Castela, Afonso VI a mão de sua filha e as terras do condado portucalense.
Com a sua morte em 1114, seu herdeiro D. Afonso Henriques, assume a luta contra os árabes, mas também contra o rei de Castela e Leão, de quem era vassalo, pela autonomia do Condado Portucalense.

Rompendo os laços com Leão e Castela, em 1139, D. Afonso Henriques se proclama rei de Portugal e dá início a dinastia de Borgonha.
 Alguns anos vão se passar para que o papa Alexandre III reconheça, oficialmente, com a Bula Manifestis Probatum, de 23 de Maio de 1179, o novo reino ibérico. Com o reconhecimento da Igreja católica e dos castelhanos a independência de Portugal então se consolida apesar das eventuais investidas dos espanhóis em unificar a península sob seu domínio político.

  • Afonso Henriques, o Conquistador, estendeu seus domínios para o sul, até o rio Tejo, e fez de Lisboa com a ajuda dos cruzados, que iam para o oriente, sua capital.

Os árabes só foram definitivamente expulsos em 1249 com a conquista da região de Algarves.

Embora os árabes tenham permanecido na península por cerca de 700 anos e tenha ocorrido, naturalmente, um processo cultural de islamização, a cultura ibérica manteve-se predominantemente europeia e cristã. E foi justamente esse antagonismo que, segundo estudiosos, manteve acesa a chama da motivação para a luta e expulsão dos mouros, considerados infiéis. Contudo, apesar dessas diferenças religiosas os portugueses devem muito aos mouros o conhecimento e a prática nas áreas do comércio e navegação.

Os descendentes de D. Afonso Henriques governaram Portugal até o século XIV.

Reis da Dinastia de Borgonha ou Afonsina


D. Afonso Henriques, O Conquistador (1139-1185).
D. Sancho I, O Povoador (1185-1211).
D. Afonso II, O Gordo (1211-1233).
D. Sancho II, O Capelo (1223-1248).
D. Afonso III, O Bolonhês (1248-1279).
D. Dinis, O Lavrador, o Trovoresco e o Poeta (1279-1325).
D. Afonso IV, O Bravo (1325-1357).
D. Pedro I, O Justiceiro (1357-1367).
D. Fernando, O Formoso (1367-1383). 

Saiba Mais


As Cruzadas

O movimento das Cruzadas, iniciado no século XI, foi um importante movimento voltado para o fortalecimento político e religioso da Igreja Católica ocidental.

Foi útil, também, para o desenvolvimento das atividades comerciais no mediterrâneo, principalmente das cidades de Gênova e Veneza. Financiavam expedições militares em troca da proteção de algumas rotas conforme seus interesses comerciais.

Colaboraram, mesmo que casualmente, na solução do excedente populacional e deram conforto espiritual aos marginalizados já que não se pode analisar esse período sem considerar a forte religiosidade do período medieval.

Resumindo, podemos afirmar que as Cruzadas foram movimentos militares organizados para combater os inimigos dos cristãos: muçulmanos, cristãos ortodoxos, pagãos e hereges.




Fontes Bibliográficas:

Península Ibérica:


Cotrin, Gilberto. História do Brasil. Nova Consciência: dos primeiros povos ao século XVIII: 5ª série, 1ª Ed, São Paulo, saraiva, 2001.